quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Legislação trabalhista brasileira - herança fascista de Getúlio Vargas e arma da elite burocrática nacional

O seguinte texto foi escrito como artigo proposto para a disciplina Direito do Trabalho, do curso de Administração da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 2015.


O princípio da proteção ao trabalhador foi instituído com o objetivo de proteger a parte mais frágil na relação trabalhista – a parte que possui menos recursos materiais, financeiros e mesmo, muitas vezes, políticos, para uma disputa jurídica. A adoção deste direcionamento no direito do trabalho brasileiro teve início nas primeiras décadas do século XX, notoriamente sob o regime de Getúlio Vargas, criador da CLT, sob inspiração da lei do "Estado Social" de Benito Mussolini, ou o regime fascista italiano. A lei, de clara inspiração socialista, visa integrar o trabalhador à empresa, assegurando estabilidade, protegendo-o contra abusos do empregador, contra inúmeras contingências e situações que lhe ofereçam riscos e danos das mais variadas naturezas.
Getúlio Vargas: ditador fascista elaborador da CLT, inspirada
na legislação de Mussolini conhecida como "Carta del
Lavoro"
Imagem: Diário dos Campos

Deve-se lembrar, a respeito da principal lei norteada pelo princípio da proteção ao trabalhador e sobre o período histórico no qual a peça de legislação brasileira discutida veio à existência, que o personagem líder do Estado fascista italiano, criador da "Carta del Lavoro", foi quadro importante do partido de Antonio Gramsci durante ao menos uma década, filho de militante anarquista e notório simpatizante do sistema socialista soviético. Conforme o jornalista Eduardo Godoy Figueiredo, o ditador permaneceu fiel ao ideal leninista por toda a vida, e elaborou o fascismo como uma forma de otimizar a economia de mercado em favor do sistema socialista – chegava ao ponto de declarar publicamente que "é impossível rezar a Deus, pois acredito somente em Stalin" (Mussolini, página 223). O modelo proposto por Mussolini visava associar os ditos interesses "a favor do proletariado" do comunismo soviético com a eficiência do sistema capitalista das economias de mercado, em uma cópia da NEP de Lenin – que, à época da tomada de poder por Mussolini, já demonstrava resultados superiores aos dos obtidos pela catástrofe humanitária do comunismo de guerra e das primeiras tentativas de coletivização forçada. Mussolini pretendia destruir o que entendia como "a democracia burguesa" usando "a corda feita pelos próprios burgueses" (citação célebre do fundador do regime soviético), após a criação de um tipo de totalitarismo socialista-corporativista. A própria origem do termo "totalitarismo" é atribuída não a Stalin, que efetivamente aplicou o modelo antes dos italianos, mas ao próprio Mussolini, que definia o sistema do "Estado social" totalitário com as máximas "tudo no Estado, tudo pelo Estado e nada contra o Estado". É um fato desconhecido do público universitário brasileiro, mas os planos quinquenais ("pyatletka") soviéticos seriam amplamente copiados pelos regimes fascistas, inclusive pelo Nacional-Socialismo alemão (nos planos quadrienais): planificação, estatizações e uma forte legislação trabalhista eram entendidos como fatores que assegurariam prosperidade econômica para os trabalhadores. Vargas, atento às inúmeras correntes políticas que defendiam projetos totalitários e "planificados" de economia e governo, assumiu que os trabalhadores brasileiros seriam mais protegidos sob um modelo similar ao italiano, o que levou à criação da CLT. 

Apesar dos inúmeros problemas identificados nos países que possuem legislações intervencionistas expansivas, como, em extremo, os países do socialismo marxista-leninista e os Estados fascistas ou nacional-socialistas, o nascimento das legislações de proteção ao trabalhador é um fenômeno compreensível, dadas as condições de extrema pobreza em que os trabalhadores viveram nos primeiros momentos da industrialização. Apesar das catástrofes econômicas e humanitárias (incluindo as grandes fomes, como o Holodomor) criadas sob todos os regimes socializantes, aqui incluindo tanto os do espectro fascista quando os do campo leninista, as leis de proteção foram criadas em épocas nas quais a economia desses países era, em conjunto, quase feudal (como no caso da Rússia soviética). Entendia-se que assegurar direitos em lei e teoria converteria os esforços legislativos em progresso econômico de fato. A Itália também vivenciava apenas os estágios iniciais da industrialização, e seus trabalhadores ainda viviam sob uma penúria comparável à experienciada por inúmeros países do chamado "terceiro mundo" contemporâneo. Como na Inglaterra do século XIX, os esforços dos movimentos políticos socializantes - de todas as nuances - eram realizados com o intuito de aprimorar as condições de vida da classe trabalhadora. O caso brasileiro é similar - dado que a industrialização só teve início após a segunda metade do século XIX. Os grandes movimentos operários só começaram efetivamente a se organizar nos primeiros anos do século XX, com forte influência dos imigrantes. Por uma infeliz coincidência, o período era também o do sucesso internacional dos movimentos totalitários que se revelariam os mais assassinos da história da humanidade, e é por esta conjugação de fatores que a lei brasileira acabou por ser abraçada pela ditadura fascista de Getúlio Vargas.

Apesar dos inúmeros crimes cometidos pelo regime, que, a título de curiosidade, prendeu entre 7.000 e 15.000 inimigos políticos (dados em estimativa conservadora contra estimativa extrema) apenas no ano de 1935, como pode ser lido em artigo de Petrônio Domingues, doutor em História pela Universidade de São Paulo [ver referência 1, após o texto], é preciso afirmar que as medidas adotadas pelo governo Vargas criaram resultados positivos para a classe trabalhadora. A garantia de estabilidade, a instituição do salário mínimo nacional, do descanso semanal recompensado para todos os trabalhadores, da jornada de oito horas e a regulamentação do trabalho feminino e de menores de idade foram resultados positivos da tendência socializante de Vargas, e que ainda hoje, por inúmeros fatores e mazelas, não são efetivamente levados a todos os trabalhadores do Brasil. 

Quatro décadas depois do Estado Novo e ainda após um segundo período ditatorial selvagem - nos anos entre 1964 e 1985 -, em 1988, o Brasil finalmente obteve sua atual constituição democrática, pautada nos ideais de um Estado democrático de direito, do império da lei e da garantia das liberdades individuais mais elementares, como as liberdades de expressão e o direito de ir e vir. Apesar dos inúmeros avanços econômicos, sociais e políticos que o país viveu, seja com o progresso industrial e agrícola pátrio, com a garantia legal de direitos trabalhistas ou com a lei máxima do país que, em teoria, assegura a proteção do indivíduo contra a tirania, os trabalhadores ainda são vitimados através de inúmeros expedientes adotados por patrões inescrupulosos, protegidos ora pelo desconhecimento de direitos que aflige boa parte da população, ora pela conivência de agentes públicos.

O trabalho escravo ainda é, em pleno século XXI, uma realidade que flagela milhares de pessoas no território nacional, seja no campo ou seja nas cidades. Nas grandes metrópoles já existe um grave problema de uso de trabalho escravo de imigrantes ilegais oriundos de países vizinhos, como a Bolívia. Esses trabalhadores são submetidos a condições de trabalho sub-humanas, sem direito a descanso ou mesmo a remuneração, através de um sistema homólogo ao da chamada "escravidão por dívida" (que já existiu no Brasil também sob a forma do regime de parcerias para imigração, no século XIX). A escravidão dos imigrantes provenientes da América Latina ocorre em fábricas irregulares de roupas e outros artigos, e abastece até mesmo algumas marcas importantes que concorrem no mercado nacional. As constantes operações da polícia brasileira contra estes esquemas criminosos de exploração do trabalho constantemente resultam em divulgação nos meios de comunicação [2], mas, para grande surpresa do público nacional, geram poucas ações de peso ou manifestações eficazes e amplas por parte dos sindicatos nacionais, que parecem ocupados com questões mais relevantes que a brutal exploração da classe trabalhadora, como, por exemplo, a demanda por salários melhores para os parcamente remunerados auditores da receita federal. É notório que ao menos uma das grandes lojas de departamento faz uso da mão de obra dos novos escravos para produzir itens baratos e competitivos [3].

Apenas a existência de tal forma monstruosa de exploração dos trabalhadores em solo brasileiro já seria uma razão suficiente para a manutenção das leis trabalhistas, que podem existir ao menos como uma remota perspectiva de punir os responsáveis pela escravidão, ainda que se saiba o quanto é difícil punir um criminoso no Brasil – e ainda que se considere o quão "generosas" são as punições para toda a sorte de crimes medonhos nesse país. Todavia, o flagelo da escravidão não existe apenas nas cidades: existe e é ainda mais feroz no campo, onde até mesmo agentes públicos fazem uso das mesmas ferramentas de opressão e exploração [4]. A mão de obra escrava é empregada no cultivo de gêneros como a soja e a cana, e esta forma criminosa de exploração dos trabalhadores se dá principalmente nas áreas do interior das regiões Norte e Nordeste. O modelo é similar ao empregado nas confecções: são oferecidos salários de fome, quando tal "benefício" existe, alguma alimentação precária fica disponível para os trabalhadores, que são sistematicamente submetidos a agressões físicas ou mesmo ameaçados de morte em caso de fuga ou denúncia. Este processo também ocorre em áreas de exploração madeireira e de produção de carvão, até mesmo com crianças, mais uma vez, com pouco eco nas inúmeras organizações sindicais nacionais, que com certeza possuem tragédias humanitárias mais importantes com as quais se preocupar. A conivência e mesmo a participação de representantes do poder público nos esquemas de uso de trabalho escravo dá testemunho da complexidade da questão laboral brasileira, na qual, por vezes, pode se ter a impressão de que os representantes de sindicatos mais se comportam como patrões do que como trabalhadores, ou de que o objetivo último de todas as dezenas de organizações e partidos que dizem representar os trabalhadores é, com toda a evidência, mais buscar meios para participar da "classe dominante burocrática" (ou "casta", para usar a terminologia marxista) do que efetivamente defender os interesses do proletariado. Dentro desta situação trágica, a existência da legislação trabalhista brasileira deve permanecer ao menos como um apelo para que haja luta por melhorias na situação dos trabalhadores: um tipo de chamado às consciências dos muitos líderes de partidos que tão frequentemente tomam as vozes dos necessitados em nome de seus próprios programas, interesses e "companheiros de viagem".

Ao mesmo tempo, a legislação atual possui defeitos que precisam de resolução. A antiga regulamentação dos funcionários terceirizados não permitia que estes recebessem tratamento médico das contratantes dos serviços terceirizados, por exemplo – fato que deve ser mudado em qualquer futura regulamentação desta modalidade de trabalho. A mudança proposta para as regras de terceirização criava situações de precarização do trabalho e possibilitava redução nos direitos trabalhistas: este problema deve ser discutido para uma avaliação sóbria a respeito dos reais benefícios que isto pode trazer para o trabalhador, através da avaliação de o quanto uma flexibilização pode ser arriscada, em termos de uma perda de benefícios reais e ganho de direitos ou mesmo de abertura de novas oportunidades. Enquanto uma lei supostamente garante direitos e promete benefícios futuros, é dado notório que os efeitos de uma legislação podem ser o contrário do objetivo proposto. Um exemplo clássico é a regulamentação das inúmeras atividades informais no Brasil: uma tentativa municipal de controlar o comércio informal em praias (através do chamado "choque de ordem"), ao invés de promover a formalidade e o crescimento do comércio, enforcou a estrutura de abastecimento das praias, e promoveu um verdadeiro festival de prisões arbitrárias e brutalidade contra os trabalhadores pobres, muitas vezes provenientes das áreas da periferia carioca, que dependem do comércio informal para seu sustento e de suas famílias. O mesmo processo de obtenção do "contrário do esperado" já se deu com diversas iniciativas de criação de legislações de proteção aos direitos dos trabalhadores e benefícios sociais, no Brasil e em outros países: o endurecimento das leis trabalhistas tornou os trabalhadores brasileiros os menos procurados do mundo pelas empresas que buscam mão de obra para incontáveis áreas da atividade econômica, e contribuiu para tornar a mão de obra brasileira a mais ineficiente das Américas [5]. Entre os países sul-americanos, o Chile, por exemplo, adotou políticas econômicas menos intervencionistas e uma legislação trabalhista menos expansiva, conseguindo, dessas forma, consolidar um mercado competitivo, que apresenta crescimento notoriamente melhor que o brasileiro, oferecendo condições de vida muito mais favoráveis aos trabalhadores chilenos do que a enorme profusão de leis trabalhistas do Brasil deixaria parecer. O mesmo raciocínio pode ser aplicado à educação no Brasil: enquanto os grandes esforços governamentais foram realizados com o intuito de expandir a quantidade de recursos usados na formação dos estudantes [6], os resultados dos estudantes brasileiros nos exames internacionais se tornaram cada vez piores [7]. Exatamente o mesmo pode ser dito a respeito da empreitada governamental para controle da violência, através do chamado "estatuto do desarmamento": conforme dados da pesquisa "Mapa da Violência", desde a primeira legislação de controle de armas, aprovada em 1998 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, e ainda após a lei do desarmamento de 2003, o número de homicídios no Brasil passou de 40.000 por ano para mais de 55.000 – número superior ao total de vítimas iraquianas e americanas durante toda a segunda guerra do Iraque, incluindo os mais de cinco anos de ocupação. De fato, o que todo o empenho dos governantes fez foi tornar o povo brasileiro um dos mais burros e o mais assassino do mundo. A empreitada colossal das inúmeras campanhas de expansão quase ilimitada dos direitos trabalhistas não é original em nenhum sentido: é apenas o eco do modelo varguista, que poderia ser a moda mais atrativa dos anos 30 do século passado, mas que configura muito mais um problema do que uma resposta efetiva aos problemas do trabalhador brasileiro, que agora também é vitimado pelo desemprego. Enquanto a lei trabalhista sequer é capaz de ser efetivamente aplicada até mesmo para o fim da escravidão - um problema do século XIX -, ela também se mostra um acréscimo ao atual quadro galopante de desemprego e demissões em massa, por uma razão muito simples: é mais fácil contratar um trabalhador em qualquer país que não seja o Brasil. O governo é, ao que tudo indica, não apenas a grande peste responsável pela morte de milhões de seres humanos sob os regimes estatizantes do século XX (aliás, foi precisamente a máquina que tornou possível a indústria do genocídio em Auschwitz, no Holodomor estalinista ou nos campos da morte do Kampuchea Democrático): é também a doença que drena as forças e oportunidades dos trabalhadores brasileiros. Enquanto o aparato estatal se mostrou capaz de matar mais seres humanos que a Aids, o Ebola e a Gripe Espanhola, somadas, o mesmo também se mostra perfeitamente apto a infernizar os operários pobres do Brasil, expulsando investidores e acabando até mesmo com o já humilde poder de compra que os mais pobres conseguem, através de fenômenos econômicos como o chamado imposto inflacionário.

A triste realidade brasileira é que nem os legisladores nem o povo compreenderam que o modelo caudilhista não tem futuro. Enquanto todo o mundo adota políticas de trabalho menos burocráticas e nas quais tanto o trabalhador como o empreendedor podem agir com mais liberdade, o Brasil se apega à velha mentalidade, acreditando que a letra da lei é garantia contra o mundo real. A realidade da vasta maioria dos trabalhadores não é um emprego estável e bem pago, com aposentadoria integral. A realidade do povo brasileiro é a incerteza do dia e do emprego de amanhã, seja sob um patrão onipotente protegido por uma lei que torna todo e qualquer malfeitor uma entidade intocável, seja sob um humilde emprego como vendedor, que a qualquer momento pode sentir todo o peso da "formalidade" na forma do porrete de um guarda municipal contra os dentes, na forma da humilhação e perseguição, qual cachorro, em praça pública. A realidade do trabalhador brasileiro é buscar o emprego "que aparecer", como aparecer, garantir o que puder, se assim a sorte quiser. Poucos conseguem viver as delícias prometidas pelo nosso "bacharelismo" jurídico: o dia a dia do brasileiro médio é muito mais baixo. Enquanto todas as legislações são discutidas e "aquilo que deveria ser" continua nas imaginações de todos os teóricos, o trabalhador ainda precisa encarar a verdade dos fatos todos os dias. E ela é a seguinte: quem quer trabalhar, não pode, e se insistir, pode apanhar, ser preso e perder todo o pouco que tem. Entre os que podem trabalhar, há muitos que não querem, e ainda assim possuem absolutamente todos os seus direitos resguardados – aliás, até querem mais, porque tudo ainda é pouco. A tristeza perene do Brasil é a hipocrisia monstro do funcionário público do ápice da sociedade, que quer sempre mais dinheiro, devidamente roubado dos que não podem resistir à máquina carnívora do Estado – é a hipocrisia do mesmo juiz, auditor, deputado que diz se preocupar com os mais humildes, mas cospe em um a cada vez que o pobre de verdade aparece, pedindo humildemente um trocado, ou vendendo uma garrafinha de água. Apesar de todas as leis que asseguram todos os direitos, o trabalhador pobre continua sem estudos, sem escola, sem hospitais – resta apenas a teoria, o papel, a falsa promessa, a mentira desavergonhada. Dinheiro, o pouco que o mais pobre consegue receber, é perdido aos nacos para a inflação, que não é pequena. Antes houvesse pouca lei - mas eficaz, seguida e respeitada - e muito trabalho, antes houvesse pouca fantasia e muito dinheiro nos contas dos que hoje são humildes e estão fora dos sistemas de privilégios. Antes houvesse pouca imaginação de toda a conversa sindical, mas que a pouca imaginação e bela conversa estivessem acompanhadas de pouca inflação. 


É dito que o Brasil é o país no qual o sucesso é considerado uma ofensa pessoal. É o país no qual o sonho de muitas crianças (aliás, de muitos adolescentes e de muitos adultos que acabaram de entrar no mercado de trabalho) é "ser um aposentado". O grande anseio presente na mentalidade nacional - estimulado pelo estamento sindical-burocrático - é a mediocridade, o formalismo hipócrita e o desprezo pelos mais pobres e que tentam a vida sem o título ou sem as carteiradas. Ninguém quer ser astronauta na terra de Vargas: todos querem apenas uma fila do INSS. Esse é um retrato da tragédia brasileira, e de toda a miséria e sofrimento da classe trabalhadora de nosso país. Fazendo coro com a lei, que deve existir, apesar de tudo, o Brasil é o país no qual tudo deveria ser, e nunca foi. Como diria o poeta russo, assim foi, assim é e assim será.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O Bolivarianismo treme

O comunismo (e os movimentos de esquerda, em geral) é extremamente impopular, e normalmente desperta reações de ódio em qualquer nação na qual venha a se estabelecer, seja na forma de regimes totalitários de partido único ou sob a máscara de "socialismos democráticos", como ocorre nos países escandinavos - supostamente, onde a social-democracia criou "paraísos esquerdistas", mas, na realidade, onde os movimentos "marxianos" acabaram por instituir sistemas paranóicos, quase esquizofrênicos, de assistencialismo e policiamento até de pequenos comportamentos individuais, intitulados pelos súditos de "hospícios" (fica a recomendação da leitura de "Madhouse", do autor sueco Daniel Hammarberg). A reação polonesa ao modelo esquerdista é proverbial, mas não isolada - Ucrânia, os países bálticos, a República Tcheca, a Hungria e até mesmo a Rússia vivenciam ondas de movimentos anti-comunistas (alguns dos quais possuem viés nacional-socialista, racista, antissemita e outros do campo autoritário) que apenas dão testemunho da reação de desgosto provocada pelo projeto, nas mais diversas comunidades. A Venezuela entrou para o rol de países que criaram franca antipatia pelo esquerdismo - como testemunhado nas últimas eleições -, a Argentina vivencia o mesmo e o Brasil já é forte candidato a adotar uma postura "lituana" diante do Partido dos Trabalhadores. O que se observa na América Latina é exatamente o mesmo tipo de fenômeno que levou ao colapso do socialismo no leste europeu: ira despertada por uma propaganda utópica francamente mentirosa e pela catástrofe econômica e social. O problema, para os companheiros, é que o ódio popukar ameaça o projeto "muy guapo" do super-partido chamado Foro de São Paulo.

O gradual enfraquecimento do esquema de poder inaugurado por Lula e Fidel Castro começou a ser observado nas ondas de protestos populares em anos anteriores contra o governo de Cristina Kirchner. A líder Argentina enfrentou greves, panelaços, paralizações importantes na economia e até mesmo teve de encarar de frente sindicatos do país, que, teoricamente, deveriam constituir a base de apoio de um governo que se considera herdeiro da mentalidade política de Perón, ou, ainda mais grave, de um governo que se supõe aliado dos "partidos da vanguarda" do proletariado latino-americano, através do Foro. Para sua grande frustração, o povo argentino, que deveria ser a espinha dorsal de um regime populista, se mostrou seu maior antagonista, e, em grande ironia, enfraquecida justamente pelos sindicatos que gostaria de representar, Cristina acabou por perder as eleições contra Macri, ainda que por tabela, na figura de seu sucessor, Scioli. A derrota de Cristina Kirchner foi uma grande punhalada no corpo do Foro, mas não foi a única.
Mauricio Macri, novo presidente da Argentina
Imagem: http://goo.gl/A1MJly

O regime socialista venezuelano vem enfrentando protestos importantes, que começaram ainda nos anos do governo de Hugo Chávez. A população inicialmente se mostrou indignada com os graves problemas de abastecimento que flagelam o pais, com escassez de inúmeros artigos básicos de alimentação, higiene, com uma inflação galopante e até mesmo com falta de medicamentos. A penúria "soviética" que aflige os venezuelanos não é o único tormento: o país também registra um aumento expressivo da violência urbana, que surge para coroar o cenário de caos econômico e civilizacional criado por mais de uma década de sistema bolivariano. Vale lembrar: o governo também criou uma lei de desarmamento, que, até o momento, apenas contribuiu para agravar os números de homicídios por ano, já vistos como entre os piores do continente, competindo com os dados brasileiros. Os súditos do chavismo se revoltaram contra este verdadeiro calvário, e a resposta estatal não ajudou em nada a imagem interna do poder socialista: durante as revoltas, centenas de manifestantes foram presos, muitos outros entre os revoltosos foram feridos, e o número de vítimas fatais é contabilizado às dezenas - mais recentemente, até mesmo um candidato da oposição foi assassinado, em público, no palanque. "Quem tem olhos, veja" segue o ditado, e, de fato, os venezuelanos vêem: Maduro acaba de sofrer uma pesada derrota, no momento em que sua oposição conquista a maioria dos postos no parlamento. O governo revolucionário está diante de um dilema: ou reprime a oposição com brutalidade já conhecida, criando ainda mais descontentamento e ódio ao sistema socialista fundado por Chávez, ou aceita a oposição, entrando em um dilema já vivido pelo camarada Jaruzelski, que, como já visto, termina mal (para os vermelhos, naturalmente).

Dilma Rousseff, pobre coitada, não poderia estar em pior momento. Humilhada por uma crise econômica de proporções diluvianas, colocada em postura ruminante por um processo que ameaça tomar seu mandato movido pelo TSE e ameaçada por um parlamento hostil, que mastiga gostosamente um processo de impeachment contra ela, a sucessora do "menino de ouro" das esquerdas, Lula da Silva, a presidente apenas pode tremer e tentar se defender, o melhor que pode. Não que o melhor dos esforços jurídicos e políticos seja algo irrelevante, longe disso. O PT é a maior máquina burocrática, política e talvez a segunda maior máquina militar do país, alicerçada em uma vasta rede de "soldados" a servir no MST, na CUT, na UNE, nos Black Blocks - tão celebrados pela esquerda do "socialismo e liberdade" e até por um famoso jornalista de notória simpatia pelo socialismo. O PT, suas filiais - UNE, CUT, os partidos da esquerda "alternativa" e companhia -  e o exército do Stédile contam com um quase infinito tecido de assessores jurídicos, de auto-falantes nos veículos de comunicação e empreendimentos artísticos financiados com propaganda das estatais e até mesmo com um grande leque de simpatizantes estrangeiros. Entre os mais entusiasmados - e mais perigosos, sob o ponto de vista bélico - estão os barulhentos colegas das repúblicas bolivarianas, que não hesitam em fazer ameaças abertas, como já dito pelo senhor Evo Morales e pelo enfraquecido Nicolás Maduro. Apesar de toda a estrutura política, de todo apoio econômico e militar, seja ele fornecido pelos colegas membros do Foro de São Paulo como Farc, Venezuela, Bolívia, ou ainda apesar da bajulação da mídia "domada" pelos recursos de propaganda, ou mesmo com todo o financiamento proveniente da própria corrupção que caracterizou quase ontologicamente o Partido dos Trabalhadores, Dilma sofre como um moribundo. A onda de manifestações que abala o Brasil desde 2013 criou uma ferida gigntesca no sistema do Foro de São Paulo, ao menos neste país. Os ataques diretos, desrespeitosos, quase selvagens à figura da presidente dão prova de que o desafio dos petistas é muito maior do que toda a falange de para-choques deixaria parecer. Em qualquer outro momento, o "bolivarianismo" estaria seguro. Na atual crise, encontra-se formalmente confortável, mas à beira do abismo, na prática. O que está acontecendo na América Latina mostra que nem todos os bajuladores, nem todo o dinheiro, nem todas as armas e nem todos os assassinatos políticos cometidos pela esquerda podem salvar um regime socialista, como não salvaram na Europa Oriental. Os acontecimentos dos próximos anos poderão dar mais um testemunho de que a "utopia" prometida por estes regimes não vive, simplesmente porque é incompatível com a natureza humana. O que a implantação forçada - e por vezes violenta - do modelo faz é: criar desilusão, sofrimento, morte e, por fim, sua própria destruição e infâmia. Que os brasileiros possam se ver livres desse mal que já ceifou tantas vidas, em breve. 


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Putin - o melhor presidente que os Estados Unidos viram em meio século

Vladimir Vladimirovich Putin é um dos melhores presidentes da História dos EUA. É maior que Roosevelt (e infinitamente mais forte que este), é mais belicoso que Kennedy, é mais conservador que Bush, é mais eficiente que Wilson, é mais cristão que Bush (pai) e é simplesmente mais homem do que o veadinho Obama. Vladimir Putin está fazendo mais pelos EUA do que qualquer homem na História - está varrendo os porcos assassinos do Estado Islâmico para as profundezas do inferno, está oferecendo ajuda contra a invasão islâmica na Europa, está defendendo o cristianismo ao redor do mundo e está demolindo a máquina de propaganda gay com uma eficiência quase fordiana. Só há um problema: Putin é um inimigo, Putin é um assassino treinado (e muito bem) pela Lubianka de Dzerzhinski, é um homem a serviço do maior projeto de confrontação mundial a tudo o que os Estados Unidos já representaram, desde o início da república de George Washington e dos demais Founding Fathers. A grande tragédia do nosso século é ver a firmeza moral e excelência estratégica na liderança do adversário, é ver a conduta que se espera de um líder americano em um soldado adversário. Essa é, aliás, a essência da subversão - "talvez o inimigo não seja tão mal assim", poderia um observador desatento afirmar. De fato, o quadro é muito pior do que parece.

Putin foi escolhido a dedo para ingressar no KGB, conforme o procedimento descrito por Felshtinsky e Pribilovski - é um manipulador frio, calejado pelo sofrimento pessoal na infância marcada pelo abandono e troca de ambientes familiares. É um órfão endurecido pelos anos de aprendizado na tenra idade, refinado pela máquina implacável do Estado soviético. Tornou-se férrea e cegamente leal aos "órgãos", aos quais já prestou inúmeros serviços após o colapso do regime, em 1991. Concedeu inúmeros cargos de importância a ex-tchequistas em setores da produção industrial e das comunicações, e nunca hesitou em matar um inimigo quando foi necessário fazê-lo - a firmeza do soldado adversário está casada com a brutalidade do sistema que representa. Quem dera Obama tivesse um terço do patriotismo e do espírito marcial de Putin - a verdade é muito mais infeliz do que um nacionalista americano gostaria de admitir. Vladimir Putin não é apenas um líder com punho de ferro e vontade inquestionável - é também um manipulador cínico, da melhor escola que treinou (e eventualmente causou o horror de) Yuri Bezmenov. Como sua postura de líder, usa suas manobras políticas internas como poderosa arma de propaganda para o povo - não para o russo, já habituado a seguir um Vozhd - americano. É isso mesmo: Putin não precisa fazer propaganda em casa, e nunca precisou, pela própria natureza de seu aparato governamental. Putin quer - até mesmo precisa - fazer sua boa imagem diante do povo dos Estados Unidos.
Putin se apropria de função geopolítica que deveria ser de
Obama.
Imagem: http://goo.gl/yDRDEc

O povo americano está habituado à humilhação doméstica e internacional, por parte de sua classe política. O processo de desmoralização descarada teve início com o fim da era Reagan - os tempos do último grande líder americano, e, em grande medida, do mundo livre. A sucessão de vigaristas criminosos que sucederam o homem que derrubou a URSS, o Muro de Berlim e o Pacto de Varsóvia foi algo nunca antes visto, desde a revolução. Passaram pela casa branca uma dinastia de cocainômanos com ligações íntimas demais com o wahabbismo saudita, um hippie pervertido - que, po sua vez, tem relações íntimas demais com o governo Chinês - e, por fim, aquilo que se convencionou chamar de Barack Hussein Obama, uma figura que pode simplesmente ser descrita como diminuta. O tamanho do abismo existente entre os líderes de outrora - todos podem ser chamados, com justiça, de estadistas, ou sem, cometer exagero, de homens de força e personalidade - e isso, uma criaturinha tímida, com nítido amor para (quem sabe até "medo dos") inimigos, que se encolhe diante da figura representante do Estado mais hostil a todos os objetivos estratégicos americanos, é algo tão assustador, é uma distância tão tremenda que verdadeiramente faz ver o quanto os Estados Unidos se permitiram degenerar. E aqui reside o enorme desafio colocado por Putin ao Ocidente: a grande ameaça para a civilização ocidental é deixar-se convencer pelo projeto russo, é se permitir ver Putin como líder - líder representante daqueles valores que a estratégia de subversão agora ininterruptamente liga não mais aos EUA, mas à Rússia.

Antes Putin fosse mesmo um líder americano, cristão. Antes fosse mesmo um soldado lutando pela cruz de Cristo contra a tirania islâmica. Mas ele está muito longe disto: Putin arma os terroristas. O regime russo sempre apoiou a República Islâmica do Irã, que por sua vez é uma das principais financiadoras dos terroristas muçulmanos mais persistentes do século XX - o movimento de "libertação" palestino. É a república dos aiatolás que fornece armas para o Hezbollah - a grande força antissemita, racista, do Levante. Putin sabe que há terroristas úteis - Hamas, Fatah, as FARC e mais uma infinidade de organizações que atuam até mesmo na própria Rússia, em nome do Islam e em nome dos interesses do Estado da atual FSB - Shamil Basayev, supostamente um líder "islâmico" da Chechênia, foi notório "associado" dos chamados "òrgãos", e, mais uma vez, conforme Felshtinsky e Pribilovski, atuou em uma parceria com a FSB para criar desestabilização na política russa que justificasse aumento de poderes do regime e reforçasse a imagem de líder guerreiro de Putin, retratado pela mídia como um tipo de combatente anti-terrorista. O presidente pode até combater o Estado Islâmico, mas só o faz porque já possui seus próprios "terroristas particulares", tanto no exterior quanto em casa. Evidentemente, a imagem de "homem que combate o terror islâmico" não é a única que interessa a ele.

A América foi praticamente varrida pela onda politicamente correta e pela propaganda da "política de sexo" -  em outras palavras, pela propaganda do movimento sex-lib, aqui incluindo o movimento gay, o feminismo e demais movimentos de "combate à família e aos valores tradicionais" - em grande medida, apoiados pela mesma Rússia que hoje faz o papel de moralista, através do gigantesco aparato de propaganda comunista "emancipatória" durante o século XX, com o claro objetivo de desestabilização social no Ocidente. Efetivamente, o povo americano foi calado. Não há, ao menos não parece haver, um único líder de força expressiva capaz de combater a agenda do sex-lib; não há um único líder que representa o que o povo americano realmente pensa. É evidente que a maioria da população ainda acredita na família tradicional, no casamento, nos valores cristãos - e, ao mesmo tempo, não é "contrária" aos homossexuais: apenas acredita que "preferência sexual" não é sinônimo de "política". Ao mesmo tempo, pode-se questionar com muita propriedade se o povo americano é a favor do aborto ou da legalização das drogas. O que é óbvio é que há uma campanha fortíssima de defesa deste conjunto de agendas na mídia dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que não existe uma única voz forte que diga o que os americanos realmente querem ouvir. As grandes fundações - Ford, Open Society - e associados tomaram conta dos veículos de comunicação e da máquina de propaganda, sem deixar voz para os naturais do país. E é neste espaço que Putin se enquadra, quase que como um messias para o povo americano, silenciado pela propaganda: ele faz o que todos gostariam que o governo fizesse. Putin defende a família tradicional - como visto na grande campanha midiática atual -, expulsa o movimento LGBT (sem proibir as atividades privadas/domésticas/afetivas dos homossexuais) e imita a voz dos que defendem os mártires da cristandade perseguida pelo Islam. Não haveria candidato mais forte em uma disputa presidencial.

Os últimos acontecimentos na guerra contra o Estado Islâmico prenunciam uma nova fase da ascensão de Putin, que começou como garoto abandonado pela família, tornou-se oficial do KGB e alcançou a presidência da Federação Russa. Putin agora é um presidente americano - ao menos desperta muito mais respeito no público ocidental, em particular no dos Estados Unidos, do que Obama. A entrada da Rússia na guerra síria, com todo o poder do maior exército europeu (ou mesmo asiático) em nome da vida dos mártires cristãos, é um golpe de propaganda tão fenomenal, tão estupefaciente, que palavras não são suficientes para descrever. As imagens de soldados russos em tanques T-90, no deserto, erguendo seus crucifixos em desafio ao Islam político são algo que nenhum analista sovietólogo, por mais ousado que fosse, jamais teria condições de imaginar. A atuação da Rússia no combate é precisamente o que os americanos gostariam - é o que os americanos esperavam - que Obama fizesse, e com toda a razão, contra a nova ameaça. Putin tornou-se Roosevelt.
Putin enviou soldados para a guerra que deveria ser de Obama. O exército americano deveria derrotar a maior ameaça à
democracia - ao invés disso, passou o papel ao exército vermelho. O que resultará disso pode ser o destino da Europa.
Imagem: http://goo.gl/DEFw29

A América precisa rezar para que a profecia de Bezmenov não se concretize: os americanos precisam livrar-se dos traidores como Obama, e refazer uma liderança que imponha respeito, tanto no campo de batalha interno quanto na guerra internacional. Se Putin fosse um líder americano, um patriota verdadeiro, um seguidor dos valores dos Founding Fathers, seria o melhor líder que o país poderia esperar, seria o melhor presidente que os Estados Unidos jamais tiveram, e o soldado que mais estaria pronto para a verdadeira catástrofe bélica da qual a nação se aproxima, diante dos cada vez mais agressivos integrantes do bloco Eurasiano. Na situação diante da qual o povo americano se encontra, Putin é o mais formidável dos inimigos, e a grande armadilha é a rendição ao maior dos regimes hostis, montada através das doces mentiras tecidas pela FSB, que prometem valores muito caros ao homem do Ocidente, mas que trarão apenas o colapso final da "Terra dos Livres e Lar dos Bravos".

sábado, 7 de novembro de 2015

A Rendição Incondicional das Letras a Münzer

O ano de 2015 está se mostrando trágico para a liberdade de imprensa no Brasil. Evidentemente, o problema aqui discutido não teve início na segunda posse de Dilma: o processo de censura ostensiva aos meios de comunicação no Brasil vem de longa data, desde a ocultação sistemática das notícias referentes ao Foro de São Paulo na década de 90 - amplamente denunciada por Olavo de Carvalho e, mais recentemente, por colunistas da mesma escola, como Felipe Moura Brasil e o novo-convertido Reinaldo Azevedo - até a recusa grosseira em comunicar as ligações financeiras e estratégicas entre o Partido dos Trabalhadores e inúmeras ditaduras do continente e movimentos internacionais totalitários, inclusive islamistas, como o Hamas. Mas o que provoca a sensação de choque é a saída de colunistas como Joice Hasselmann e Rodrigo Constantino da revista Veja - que, teoricamente, é o maior veículo de comunicação "de direita" do país. 

A guilhotina trabalha sem cansar, sobre os "inimigos do povo". Olavo de Carvalho perdeu seus empregos em outros veículos jornalísticos, incusive nas organizações Globo, antes dos atuais cortes da Abril. Danilo Gentili foi expulso da Band, que se tornou a mais desavergonhada defensora do totalitarismo petista através do programa CQC - que, aliás, não é o único bastião de propagandistas na estrutura: Boechat é notório comunista, e faz questão de defender com alarde o terror assassino dos black blocks, ainda que estes tenham sido responsáveis diretos pela morte de um jornalista, alvejado com uma arma de fogo improvisada. Rachel Sheherazade foi "advertida" a respeito de suas opiniões, e recebeu um período de "férias" do SBT após a expressão de posicionamentos de direita em seus editoriais. Todos estes movimentos do aparato de influência esquerdista apenas anunciavam o que estava por vir, na forma dos atuais "controles" impostos pelo Facebook a publicações de páginas conservadores ou liberais.

O campo de ação da máquina de censura saiu do periodismo clássico para os perfis da rede social. O procedimento adotado pela militância virtual é a denúncia anônima e em massa - seguida quase que em coro por expulsão de usuários ou derrubada de páginas pela gerência da empresa de Zuckerberg, que é, no momento, talvez o principal campo onde se dá o confronto entre as vozes de direita e de esquerda da maioria da população brasileira. A denúncia anônima que é utilizada na rede foi aplicada em nova versão, em nova escala, na vida real e contra o emprego de Joice Hasselmann. O grande problema, que é quase um aviso para aqueles que têm a coragem de discordar do sistema governante, é a resposta que foi dada pela revista Veja: a demissão da jornalista.
Joice Hasselmann, covardemente demitida após fazer críticas
severas a Lula.
Imagem: https://goo.gl/zvIjpc

A grande tragédia dos escritores e jornalistas sob o totalitarismo não é a perseguição desavergonhada, física, ou mesmo o paredão de fuzilamento - há inúmeros entre os maiores nomes do passado que consideravam uma honra se arriscar em combate à tirania. Orwell lutou na Guerra Civil Espanhola e viu o terror fascista diante de seus olhos. Viu também o horror da NKVD tirar a vida de seus companheiros de armas, bem de perto. A experiência de desafiar a morte, sob grande risco, é sinônimo de glória, é um tributo à bravura de quem busca a verdade e quer se sacrificar por ela (não sem motivo, o homem passou a desconfiar do comunismo, em seus últimos anos - a verdade, às vezes, não confirma as expectativas ideológicas do observador). Arriscar-se não é a tragédia, morrer em glória, para quem quer a imortalidade das obras, não é a maior angústia: o grande flagelo dos escritores ou dos que querem noticiar apenas a verdade é a censura a si próprio, é ver a capitulação de quem está ao redor ou ser vítimada espiral do silêncio. Joice foi vítima deste crime. Para a memória da revista Veja, que até então era tida como a mais vigorosa opositora do petismo, permitir a saída da jornalista é um ato de fraqueza - ou mesmo perversão - moral. É um gesto de cumplicidade para com a escória da raça humana, é um aceno amistoso para o flagelo das nações que é o movimento comunista. É um movimento que, em tempos de guerra, só pode ser visto como traição.

Entre todas as coisas que podem ser esperadas dos veículos de comunicação brasileiros, todavia, o gesto foi apenas um dos mais regulares. Não podemos nos esquecer que este é o país do qual falava Lima Barreto. É o país que pune a coragem,o valor e a competência. Em se tratando de alguém que se levanta contra a brutalidade estatal, aí mesmo é que toda a fúria da mediocridade se agita qual oceano turbulento. Veja faz seu papel representando toda a doença de espírito dos letrados das universidades brasileiras, e o faz com perfeição. Que Deus tenha misericórdia do verdadeiro povo deste país, e que não permita a vitória do sistema do Foro de São Paulo contra os mais fracos e sem voz nesta pátria. E que a nação brasileira nunca se esqueça de quem são os traidores - que, nessa revolução, nessa reconquista conservadora silenciosa que está em curso, haja um "longo braço da revolução" para expulsar deste território todos os que se tornaram cúmplices da vilania. Que a justiça um dia chegue aos que se movem para silenciar os poucos que lutam por suas ainda timidas vozes, mas que falam por mais de cento e cinquenta milhões.


sábado, 3 de outubro de 2015

Putin contra Obama

Comparar Vladimir Putin com Obama é como comparar o lobo com a lebre, para usar o ditado russo. As últimas palavras do "ex"-tchequista referentes ao confronto no oriente médio dão testemunho da habilidade retórica desenvolvida em anos de pressão - de terror, de medo constante de oficiais e de treinamento brutal e de eficácia soberba - em trabalho para o "poder soviético", enquanto a expressão pusilânime e as palavras decoradas, sem vida, do atual ocupante da Casa Branca, apenas revelam o quão oca é a personalidade de Barack Hussein.

Vladimir Putin é um assassino profissional. É mais um filho da "fábrica de venenos", dos "órgãos" do poder soviético, que exterminaram indivíduos e populações inteiras, em crimes que vão dos discretos assassinatos de Kirov, Dzerzhinsky e mesmo de Stalin - sob a supervisão de Beria, que se supunha herdeiro do trono de Lenin -, até monstruosidades como o massacre industrial de ucranianos e poloneses, nas décadas de 1930 e 40. Putin subiu ao poder como um tchequista, como cria dos "órgãos", como órfão desgraçado que teve que batalhar, desde a infância (sob uma família de aluguel, conforme exposto por Yuri Felshtinsky e Vladimir Pribilovski), contra meninos mais fortes, contra a fragilidade física nos primeiros anos da juventude e depois contra o sistema de favorecimento, homicídio e tortura emocional dentro do aparato de repressão do Estado soviético. Serviu na extinta Alemanha Oriental, onde supostamente realizou apenas o trabalho medíocre de burocrata. Voltou à Rússia e escalou toda a pirâmide de poder, deixando colegas da atual FSB espalhados em todos os campos da atividade humana, desde a importações de bens até o ápice da hierarquia nos principais meios de comunicação, passando por diversos ramos da indústria. Seu discurso é amado pelo povo russo - elegeu-se prometendo nada menos que tanques e morte aos inimigos do país, notoriamente, aos insurgentes islâmicos da Chechênia. Já matou mais jornalistas que apenas a heróica Politkovskaya, e matará mais. Já jogou mais inimigos no "reinaugurado" Gulag que apenas o ex-komsomol, e nem um pouco heróico, Mikhail Khodorkovsky, e nos campos ainda há espaço para muitos "inimigos do povo". Fala com seriedade pétrea contra jornalistas  inquiridores, mas usa sarcasmo e humor em tempo perfeito, como especialista, quando necessário. Defende sua causa com calma e realismo, com os dois pés no chão, como se a palavra fosse ciência. Para o público russo, que vive refém do amor pela tirania, fala com a firmeza de militar, chama inimigos de inimigos, e promete sangue. Apesar de todos os crimes que o sujeito possa ter cometido - e, sem dúvida, são o suficiente para condená-lo ao pelotão de fuzilamento, ainda que o juiz fosse o mais brando e compreensivo dos ocidentais -, é preciso reconhecer que o tchekista sabe o que está fazendo, como Andropov sabia há 30 anos.
Putin, em fotografia tirada em uniforme do KGB
Imagem: Business Insider

Obama, por sua vez, é uma piada. Não sabe se portar, não possui sequer a linguagem corporal que um líder da maior potência do mundo precisa ter. Cada palavra do homem passa fraqueza, dúvida e fingimento. No palanque, especialmente quando em situações de conflito, parece, por vezes, arcado, apreensivo. A cada golpe que recebe - como os muitos que sofreu de Ben Carson -, fica notoriamente mais fraco. É tão vulnerável quanto uma folha ao vento - se o seu objetivo realmente for desencorajar de vez o povo americano, está fazendo um trabalho muito bom. Obama é o tipo do indivíduo que parece ter decorado pilhas e pilhas de discursos prontos. Sua linguagem é o jargão. Não conhece as armadilhas, o riso de escárnio bem colocado, que deixa o adversário desconcertado, a flutuar no meio da luta, prestes a se afogar. Muito pelo contrário, é o próprio Obama que se deixa passar por isso - é conhecido por fugir do debate longo e das respostas bem construídas que desmoralizam e destroem emocionalmente o adversário-, é um tipo que passa perto de ter um infarto de vergonha. Sua postura condiz com sua suscetibilidade: é como um graveto retorcido. Se o vento é mais forte, se dobra, quebra e morre. É é sempre sem palavras que Obama sai de qualquer encontro com Putin - aliás, sai repetidas vezes mudo de encontros com quaisquer contendores firmes. Obama também é fruto de sua criação: uma família coruja, confortável, de classe média, que nunca lhe deixou faltar nada. Teve um pai ausente, que viu muito pouco em toda a vida (ao menos o pai "oficial"), e que não lhe passou absolutamente nada de significativo - salvo, quem sabe, alguma simpatia pelo Islam, que Barack Hussein já deixou clara em suas próprias palavras. Também foi influenciado por Frank Marshall Davis - segundo diversos autores, seu pai verdadeiro -, com quem teve muito contato e quem viu se envolver em uma relação extremamente confusa com sua mãe. Teve, ao invés da formação e trabalho espartano do serviço de segurança estatal leninista, um bico como "organizador comunitário" (sabe-se lá o que supostamente fazia no "cargo"). Não teve um exemplo de conduta masculina, contou com a benevoência infinita de sua mãe - que o jovem Obama viu ser humilhada no confuso envolvimento com Davis - e nunca teve um trabalho sério, em toda a vida. É, simplesmente, um indivíduo que não pode ser firme. É uma personalidade que não pode ser a de um líder - a menos que seja através do fingimento descarado, o mesmo fingimento que transpira a cada palavra em público.

A atual situação geopolítica da Rússia e dos Estados Unidos reflete as personalidades desses dois líderes. A posição influente e expansionista que a Rússia subitamente conquistou, seja através da vitória militar ou de alianças como a comunidade econômica eurasiana ou a SCO, é projeção da derrota da personalidade líquida e sensível de Obama pelo caráter marcial do soldado Vladimir Putin. Um "organizador comunitário" nada pode contra um tchequista. Colocar Obama contra Putin, na arena geopolítica, estratégica e em confronto, como líderes militares e de nações ou mesmo como oradores, é como colocar uma criança em luta de punhais contra um assassino profissional. Essas são, aliás, as essências das duas personalidades em jogo.

domingo, 6 de setembro de 2015

Caos no regime petista

É fato notório que a popularidade da presidente Dilma afunda, vigorosa e ininterruptamente. Todos os regimes apresentam sinais de fraqueza significativos antes do fim. O tempo dos Czares demonstrou sua fraqueza diante da literatura Narodnik e socialista, na Rússia do século XIX, assim como o império soviético chorou e agonizou sob a pena de Solzhenítsin. Mussolini enfrentou a própria população, e morreu humilhado, apedrejado e fuzilado por seus compatriotas. O regime militar brasileiro sofreu uma chuva de golpes vindos de todos os segmentos do Brasil - dos trabalhadores até os compositores, dos industriais até os barões da imprensa. Dilma afunda no charco de seu próprio sistema corrupto, como um representante da megafauna em uma piscina de piche.

Há semanas os ataques ocorrem, como se não houvesse amanhã. Meses. Anos, talvez. A surra tomou forma, os tiros ganharam alvo e a vítima busca, inutilmente, se esconder. Parece que a única solução restante é o golpe militar, que a sucessora do "Chefe" já besuntou em óleo quase legislativo, na letra do último decreto. Tudo indica que este será o único (e último) caminho do Partido. O dia sete de setembro mostrará, em suas próximas horas, qual será o destino do regime petista.

Os aliados da grande "Latinoamerica" gritam alto: os sussurros de "golpe" se tornaram estrondos de metais, os tambores da marcha soam furiosamente. A Bolívia já avisou com todas as palavras o que acontecerá caso o sistema caia. Da Venezuela, pode-se esperar rigorosamente a mesma coisa - o país se arma sem pestanejar desde os dias de Chávez, e possui o que há de mais assustador em aparato militar da terra de Zhukov. Fileiras e mais fileiras do exército bolivariano esperam por apenas uma ordem do comandante para agir em defesa do "processo brasileiro" e da "democracia popular". O Brasil estaria prestes a se tornar uma nova Hungria ou uma nova Checoslováquia, não fosse por uma diferença significativa: aqui, ainda não existe, ao menos oficialmente, o sistema dos sovietes.

O Brasil, apesar de todos os esforços dos governantes petistas, ainda possui um arremedo de democracia, e uma sociedade civil - a verdadeira, não a do MST - atuante. No país, milhares de cidadãos que não se identificam com o projeto de poder petista se manifestam diariamente, vão às ruas, pedem a cabeça dos culpados e acusam. Acusam sem parar, acusam como se todos os oficiais judeus injustiçados do Planeta Terra, reunidos, vivessem no Brasil. Acusam com justiça, de fato, e os povos se levantam. Os cristãos falam, os judeus falam, os maçons falam e o exército há muito começou a exercitar as cordas vocais. Os ventos da mudança sopram fortes, das ruas aos quartéis, das lojas às escolas, das obras às universidades. Os tempos da conquista na guerra de posições se foram, disto ninguém tem dúvidas. Hoje, a derrota é do exército mais forte, e o exército brasileiro venceu, ao menos esta batalha.

A expressão de todos os esforços da nação brasileira é tão vasta quanto a estepe: não há livraria que não conheça o nome do Foro. Não há espaço, na internet, que não contenha um tom dissidente. Não há universidade na qual não caminhem os que percebem as boas novas. A vitória no mundo das letras impressas é algo que nunca foi antes visto na História, não deste país miserável e esquecido por Deus, mas da humanidade. É como se o Criador voltasse os olhos para cá, e dissesse: "levanta-te e anda". E a pátria-lázaro levantou-se, e respirou a verdade, e foi tomada de ira nobre e santa. E os poderes tremem de pavor e majestade, diante daquilo que era conhecido e secreto, diante daquilo que os olhos não podiam ver, e viram, através de todo o véu e de toda língua maldita. E o rei ficou nu diante do poder, e se escondeu.

Não há mais tempo para o monarca condenado. Todos os esforços e mentiras se esvaem como água por entre os dedos, e a mão se seca com o calor da luz solar. Resta apenas a Verdade, e a verdade dos inimigos do Brasil é a miséria: a Verdade do Brasil é a Vitória. Ainda que todos os exércitos do mundo marchem nesta terra, ainda que cada casa seja derrubada e cada flor seja pisada, ainda assim este povo agarrou sua liberdade, com a força de todos os libertadores que viveram antes, e como exemplo para todos os que virão depois.

Os próximos dias, meses, anos, serão os últimos do sistema petista. Não há mais tempo para a "democracia popular". A nação - sim, hoje, como nunca, é uma nação, um sangue - despertou. Nunca mais haverá língua venenosa para enganar o sal desta terra. Ainda que todos os filhos pereçam na luta, ainda que todo o golpe e perfídia sejam feitos, ainda assim, a Glória é certa. Porque, uma vez que as sementes da Liberdade deitam fundo no solo, nada pode impedir o que vem. Mesmo aqui, na América Latina, tão humilhada e escravizada pela mais vil das gentes, os povos renasceram para a Verdade. A guerra começa. O prêmio é nosso.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Sobre o Hamas e o PSOL

O PSOL - "Partido Socialismo e Liberdade" - é um dos mais curiosos frutos do pensamento esquerdista. Um leitor desatento poderia ser convencido de que a agremiação verdadeiramente se preocupa com os direitos dos gays - ou de qualquer minoria ou grupo perseguido que seja, como supostamente o são as mulheres -, se esse leitor  não se desse a um mínimo de esforço para conhecer o que a legenda realmente defende. Como todo bom partido marxista moderno, o PSOL é oficialmente apologista do leninismo. Mal sabem os eleitores da beautiful people universitária que Vladimir Lenin defendia o extermínio de minorias étnicas e o aprisionamento de crianças, como extensivamente discutido pelo general-coronel do exército vermelho Dmitri Volkogonov. A militância não sabe o que o partido é, ou o que querem dizer suas palavras de ordem, como sugere o texto publicado na página oficial da organização, "Em Defesa do Leninismo". O texto, aliás, também defende outra das vacas sagradas dos psolistas, o senhor Leon Trotsky, líder militar da revolução de outubro que solicitou ao partido bolchevique a criação dos campos de concentração para conter a onda de "inimigos do povo", "encontrados" durante o primeiro Grande Terror soviético - e não há que se falar em "stalinismo": Dzerzhinski foi da prole de Ilich, não de Vissarionovich; foi o criador da estrutura de poder que apenas seria reutilizada pelo ditador georgiano. O mesmo PSOL que louva os idealizadores do Gulag, do Terror e da repressão étnica levada a cabo pela polícia política socialista, defende o Hamas - e pelas melhores razões. O PSOL, no cerne das convicções de cada militante, está disposto às mesmas coisas que o Hamas em nome do poder, a ser usurpado para a causa da "justiça social" - naturalmente, sob a mão de ferro do partido (ou, no caso do Hamas, da teocracia islâmica, que tem sua própria versão do discurso "em nome dos pobres").
Imagem: http://goo.gl/tQ0ztb

O Hamas é uma organização antissemita por excelência - até em seu estatuto, a organização faz defesa do genocídio contra o povo judeu. Esta não é a opinião de um autor conservador: esta é uma diretriz registrada em documento oficial da organização. Conforme os próprios integrantes da "resistência palestina", seu objetivo é "matar os judeus", "combater os judeus", "matá-los mesmo que se escondam atrás de rochas e árvores". O Hezbollah, outra organização para a "libertação" palestina, é bem mais explícito, e não tem medo de divulgar fotos de seus militantes fazendo a saudação nazista. Quando o PSOL brasileiro queima a bandeira israelense - para ser mais específico, quando o candidato Babá, apoiado por Marcelo Freixo, faz esta afronta ao símbolo de um povo perseguido em todo o mundo há milênios - em praça pública, proclamando apoio incondicional aos integrantes de movimentos como o Hamas, está apenas "voltando às origens". O ídolo Lenin jogou mulheres, crianças e idosos nos campos de concentração: os alunos do maior líder marxista do século XX podem apenas seguir o exemplo, e vão bater palmas para quem pede o extermínio do povo judaico. O partido brasileiro possui um vínculo ideológico imortal com as organizações muçulmanas, que é precisamente o que torna os movimentos revolucionários de todos os países essencialmente iguais: esses grupos têm por objetivo alcançar o "fim das desigualdades", ou o "fim da opressão imperialista" através do assassinato de indivíduos que entendem como "inimigos", os quais podem definidos por sua classe, raça, religião ou afiliação política. Essa crença em um "futuro perfeito", com uma organização social ideal, deve, para cada um dos integrantes do partido revolucionário ser trazida à realidade por meio de um "julgamento", que irá acabar com as malignas formas de vida responsáveis por impedir o nascimento do novo Éden. Essa maneira de compreender a realidade é a essência do pensamento revolucionário: é o núcleo da ideia marxista - contra a "burguesia" ou contra o "Völkerabfälle" -, da ideia nacional-socialista - contra as chamadas "raças inferiores" - e do islam político - contra os "kefr", sejam eles judeus ou cristãos.

Ainda que o movimento marxista brasileiro e o movimento islamista - no sentido correto do termo - possuam um "núcleo" idêntico, há diferenças importantíssimas em seu discurso "para fora", assim como em outros aspectos que fundamentam as duas ideologias - aqui, mais uma vez, em um sentido preciso do termo, especificamente, o criado por Voegelin. O PSOL, como bom partido revolucionário, interpreta o papel de defensor dos homossexuais, ao mesmo tempo em que aplaude, em seus veículos de comunicação oficiais, regimes responsáveis pela perseguição e assassinato desse grupo de pessoas. Os islamistas defendem a execução dos "sex-libers". O PSOL apenas defende as minorias - todas elas, enquanto for politicamente favorável ao movimento socialista: o objetivo derradeiro é a tomada do poder, mesmo que pela insurreição (como Lenin, aliás, sugeria que fosse feito). Se a minoria em questão passa a ser identificada como "inimiga" (como agora o partido vê os judeus), então o aparato é incitado à agitação racista, e está disposto a deitar-se mesmo com o fascismo islâmico. Os maometanos da escola de Muhammad Kutb, por sua vez, são diferentes em discurso e fundamento por uma razão genética, que é exatamente sua força, e o que os torna os vencedores finais sobre todas as outras correntes de pensamento revolucionário. O alicerce "civilizacional" dessa vertente das ideologias (ainda conforme Voegelin) é a revelação corânica.

Enquanto a vasta maioria das ideologias teve morte rápida, o islamismo é imortal - ou quase. A revolução francesa durou poucas décadas, e nada sobrou de Robespierre. O movimento apagou-se, e ninguém se importa com Rousseau a ponto de fazê-lo profeta da religião de Estado, como fizeram os líderes responsáveis pela primeira Grande Revolução bem-sucedida. Lenin deixou uma mixórdia confusa de criaturas que variam do Juche ao Socialismo Africano Somali e Etíope. Nenhuma versão reelaborada de seu pensamento durou mais de um século: todas, sem excessão, renderam-se em maior ou menor grau à economia de mercado (até a Coreia do Norte tem suas ZEEs). Todas fracassaram miseravelmente em criar um legado para além do desastre social e da fome, que é facilmente identificada a única constante dos Estados marxistas. O nacional-socialismo hitlerista durou pouco mais de uma década, e a miséria humana criada por ele (mesmo contra os alemães, diga-se de passagem) não têm comparação com quaisquer catástrofes ocorridas antes na história humana, salvo a fome ucraniana - não por coincidência, os únicos genocídios de escala e rapidez próximas às do legado germânico são o Holodomor e a Grande Fome chinesa, de Mao Zedong. O bolivarianismo latino-americano é uma piada mesmo para os padrões do fracasso das demais ideologias - nasceu morto, deformado, aleijado e inspirado em um ditador cínico e racista que odiava a América Latina, o próprio Bolívar. Seu resultado é o colapso das economias regionais e o ódio popular sem fim contra as lideranças, que são débeis em demasia para repetir as conquistas de seus ícones do início do século XX. O islam político nunca teve um fracasso tão miserável quanto seus "irmãos", porque sua base é a própria civilização islâmica. O islamismo não promete um paraíso terrestre inalcançável, nunca visto por olhos humanos - o islamismo sugere apenas o que (nas cabeças dos clérigos islâmicos) existiu sob Muhammad. Todas as "sociedades vindouras" das outras ideologias são artificiais. O porvir do Hamas, para infelicidade da raça humana, é muito tangível, próximo, real.

O islam político nunca falou na "sociedade liberal e democrática" da Revolução Francesa. Nunca ofereceu "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" em troca de alguns milhares de "inimigos do povo" decapitados. Jamais sugeriu o paraíso de justiça, liberdade e abundância para todos da economia comunista vindoura, que naturalmente exige alguns milhões de burgueses e "inimigos de classe" enviados para as covas coletivas. Nem sequer cogitou algum "socialismo étnico" a ser criado sobre as cinzas dos "Untermenschen". O islam de Kutb, do Hamas e do Hezbollah quer a sociedade em que Muhammad viveu: quer pura e simplesmente o domínio completo de sua religião, expansionista, implacável, com a única certeza de oferecer o fio da cimitarra para as cabeças de quem se recusa a submeter-se. O islam político vê o inferno como paraíso, e é exatamente por isso que ele tem mais força: sua promessa é mais fácil de cumprir. Essa ideologia enxerga a própria civilização islâmica como o futuro, e seu apelo é óbvio, para quem segue a fé. É por essa razão que, no fim, o Hamas engolirá o PSOL.

O PSOL, assim como todos os demais partidos marxistas das Américas, é como um sopro, fadado a se dissipar, como fizeram seus irmãos durante as últimas décadas. Nunca houve, nem haverá, civilização fundada pelo marxismo. A religião voltou com força à China, assim como ao Leste Europeu, e as economias planificadas desfizeram-se como castelos de cartas. O PSOL morrerá como seus antecessores, mas de forma mais trágica - e irônica. Seus protegidos herdarão o mundo, e não terão qualquer misericórdia para aqueles que os socialistas dizem representar, ou mesmos para os próprios socialistas. Em mais de um milênio de expansão ininterrupta, o Islam varreu inúmeras culturas da existência, e não teve qualquer gesto de benevolência para o ateísmo. Os mesmos socialistas que pedem o fim de Israel pelas mãos da "resistência" muçulmana verão suas últimas horas diante de um tribunal da Shariah. Não há "oposição" ou propaganda anti-clerical sob a lei corânica - há apenas a submissão, a Shahada ou a morte.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...