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domingo, 1 de outubro de 2017

Sobre a farsa do "fim do comunismo"

Para uma ideologia que "morreu" com a queda do muro de Berlim, em 1989, o comunismo permanece bastante perigoso. Mata pessoas diariamente no Laogai chinês, nas ruas da Venezuela, tira as vidas de centenas de inocentes em toda a América Latina através das ações das FARC e associados, mesmo no Brasil, e chega a ameaçar o planeta inteiro com a possibilidade de um holocausto nuclear como nunca visto, através do cachorro louco Kim Jong-Un. Mais uma vez, o grande filósofo da Virgínia tem razão - como tinha, em 2006, ao denunciar com uma década de antecedência a empreitada que seria feita no Brasil pela esquerda chique para a legalização da pedofilia. Para saber o que irá acontecer na História, é preciso acompanhar os movimentos estratégicos dos atores políticos, e os que comandam a direção do Estado chinês, russo, norte-coreano, que comandam cada pelotão das FARC e cada partido marxista ensandecido da América do Sul são o mesmo grupo de discípulos de Lenin que assegurou a expansão do poder soviético no Leste Europeu, nos países em desenvolvimento e cada ação do complexo NKVD-KGB-FSB. Se o grupo é o mesmo, as cabeças são as mesmas, e se as cabeças são as mesmas, os objetivos não mudaram muito, como fica claro através da observação de cada gesto de loucura dos "queridos líderes".

Como já foi explicado uma centena de vezes pelo escritor mais preciso da modernidade, antes do fim do regime soviético, houve uma mudança estratégica considerável na direção dos esforços da inteligência bolchevista - Beria, como Montefiore explica em A Corte do Czar Vermelho, já discutia a ineficiência da economia planificada. Diante a incapacidade de controlar o sistema produtivo, a direção determinou que a meta da inteligência e da militância era o controle de tudo o que poderia haver além dela - cultura de massa, imprensa, universidades e mercado editorial. Foi a cristalização do programa estratégico desenhado por Gramsci, ainda na primeira metade do século, que foi incansavelmente estudado por toda a esquerda, e ainda é considerado um dos mais importantes autores marxistas do período, possivelmente perdendo o primeiro lugar apenas para Lenin. A conquista de todo o sistema educacional e cultural, assim como o domínio das estruturas de poder informais (entre as quais está o crime) é muito mais emergencial do que os pyat'letki. Ter toda a imprensa e a academia ocidentais, assim como as máfias e organizações de traficantes de entorpecentes, ao lado do movimento é algo muito mais urgente do que fundar "Estados proletários" destinados ao fracasso econômico e à fome assassina. As roupas mudaram, mas o manequim é o mesmo.

A Rússia e a China não são incógnitas - são o que sempre foram. São autocracias brutais, genocidas, dispostas ao extermínio de 80% da humanidade (nas palavras de Mao), desde que o poder absoluto da casta governamental esteja assegurado. Os homens no comando são os mesmos do tempo do Pacto de Varsóvia - Putin confessou que "só há ex-tchekistas no cemitério", Lukashenko nem sequer se deu ao trabalho de mudar muito o terno. O regime de Xi Jinping se mostra cada vez mais agressivo nos oceanos vizinhos, e não esconde a intenção de um conflito militar de grandes proporções contra os EUA  e aliados. Qualquer mudança de discurso, orientação econômica ou mesmo verniz civilizacional é adotado apenas para assegurar o poder da "troika" lendária da qual falava Viktor Suvorov, Exército-NKVD-Partido - hoje, fica claro que o lado mais forte, na Rússia, é a inteligência, e na China é o exército. A economia de mercado chinesa foi edificada com o único propósito de assegurar a indestrutibilidade do Exército de Libertação Popular, o maior em contingente e com um dos mais avançados aparatos tecnológicos do mundo, assim como o fim da URSS foi realizado apenas com o objetivo de assugurar o poder das redes informais já estabelecidas pelo complexo do NKVD e GRU com o crime organizado internacional e os movimentos aliados ao redor do planeta. As FARC são apenas o parceiro mais "óbvio". O poder absoluto de Putin não é surpresa - a democracia russa é apenas o verniz. A substância do regime é feita dos mesmos indivíduos que comandaram o GULag ao longo de 70 anos, e que espalharam o sofrimento, a cocaína e a morte por cinco continentes.

Assim como a economia de mercado pode eventualmente ser útil à "troika", em um determinado momento, o conflito aberto também pode ter uma finalidade prática - ou a mera ameaça pode trazer algumas vantagens. Os regimes comunistas - por consequência, suas castas governamentais, suas "nomenklaturas" - se acostumaram a receber gordas somas de recursos como forma de "ajuda humanitária" ou "tecnológica". O regime norte-coreano também o fez. Assim como fizeram com seus povos, por meio do furto, do assassinato, dos trabalhos forçados e do saque, tentam fazer com todas as nações civilizadas. Isso é a própria natureza da "economia de guerra", que é, em grande medida, a única economia que os burocratas foram capazes de "edificar" - nada de grandes sonhos socialistas, na prática, como gerações de militantes desiludidos ou fuzilados puderam constatar através de testemunho direto. É assim que funciona: ou o mundo se dobra aos objetivos da troika, ou todos iremos queimar no apocalipse atômico. Paz quando a paz for necessária, guerra quando o inimigo resistir - "se ele resistir, deve ser exterminado", nas palavras de Ilich.

Os últimos acontecimentos deixaram clara a unidade estratégica dos objetivos das castas dominantes da Rússia, China Venezuela, Coreia do Norte e mais a constelação de nações governadas por movimentos revolucionários (o Irã é um caso interessante, que mistura o discurso revolucionário marxista clássico com o Islam, na amálgama criada por Sayyid Qutb). A mudança cosmética no discurso russo não muda em nada a essência dos "timoneiros" - o Estado totalitário, o discurso "anti-imperialista" e a busca da redenção através do "holocausto revolucionário" ainda são o norte da família. O poder absoluto ainda é a única alternativa aceitável, a qualquer custo - e este é o mesmo raciocício cultivado por Lenin, quando planejou a NEP. Vladimir Ilich Ulyanov continua deitado sossegadamente, na praça vermelha, com sua alma tendo um breve momento de riso nas profundezas do inferno, ao saber que seus estudantes conseguiram aprender alguma coisa.

Mais sobre o tema - Olavo de Carvalho discute ideologia da inteligência russa e programa estratégico do Estado de Putin:

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A grande mídia e Fidel Castro

A classe jornalística se recusa a chamar Castro por seu nome – seria uma dor terrível confessar que o ídolo máximo não passa de um homicida, um ladrão, um criminoso muito mais nojento que um vigarista comum. A hesitação dos âncoras chega a ser cômica – “grande legado”, “grande homem”, “um dos homens mais importantes do século XX”. Castro foi todas essas coisas – deixou um “grande legado”, como a peste bubônica deixou, foi um “grande homem”, como Calígula. Foi (por que não?) importante: tanto quanto o Krakatoa ou como a Grande Fome irlandesa. O amor e a hesitação dos queridos periodistas vem das escolas de Comunicação, onde aprendem, conflituosamente, a idolatrar, a cada dia, assassinos em massa, e a papagaiar sobre a universalidade e necessidade incontestável do império dos direitos humanos – desde que, evidentemente, esses direitos se apliquem tão somente aos mais brilhantes filhos do movimento revolucionário. Os “inimigos de classe”, naturalmente, podem mofar na UMAP. Não fazer as chamadas e os comentários do dia sobre tão gentil figura com alguma confusão interior secreta é impossível.

Os companheiros fazem as caras e bocas mais divertidas imagináveis – as palavras saem aos tropeços. Alguns demonstram vontade de dizer os pontos e as vírgulas, mas a vontade é tão passageira e fraca como  caráter do exemplar mediano da categoria. Quando um entrevistado decide colocar os pingos nos “is”, aí a expressão é de terror sincero – escândalo, blasfêmia. Quem ousaria denunciar um “humanista”? Quem atacaria de forma tão vil, baixa e caluniosa “o melhor dos filhos da América Latina”? Só um fascista, evidentemente. O problema está nas situações onde é um “companheiro” quem entrega o jogo, um ex-guerrilheiro, um militante do partido – o horror cósmico da situação explica o ódio mortal de uma das castas de comunistas pelos trotskistas (abominações entre as abominações).

Quando um cubano decide pontuar, aí mesmo é que nosso prezado companheiro entra em desespero, em choro e ranger de dentes – interno, o que é natural, o bom jornalista é tão cínico e teatral quanto o mais sanguinolento dos psicopatas. O cubano que fala mais do que deve precisa ser excluído, calado, “desaparecido”. É uma “não pessoa”. É um inimigo de classe – por que diabos não ficou para enfrentar a justiça histórica sob a justiça implacável do partido da vanguarda do proletariado? Com o inimigo de classe, não há diálogo possível – “se o inimigo resistir, ele deve ser exterminado”, dizia o camarada Lênin. O dissidente deve ser removido da existência e sua voz nunca mais deve ser ouvida pelos grandes meios de comunicação – Carlos Moore desapareceu, e Pandura talvez venha a segui-lo, a depender de sua capacidade de “autocrítica”.

Se alguém tem dúvida a respeito do caráter patológico da ideologia dominante nos cursos de ciências humanas – e na temível tendência observada principalmente entre jornalistas, advogados e membros da alta administração de grandes empresas – é por razões que fogem à compreensão humana. A dupla medida é óbvia. O desvio moral é aberrante e faz estardalhaço. O medo – ideológico, oportunista ou simplesmente cretino – da expressão correta, ou das expressões corretas, é mais claro que o Sol. “Assassino”, “Ditador” são termos que jamais serão pronunciados. Dizê-los é um esforço além da mediocridade excepcional dos companheiros, e é um ato que destrói toda uma forma de educar escritores e formadores de opinião – é a destruição, justa e necessária, do modelo deformado do que se convencionou chamar de “jornalista”, no Brasil.

Mais sobre o tema - Carlos Moore discute o racismo e a perseguição étnica praticada pelo regime comunista cubano:

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Ustra e a credulidade insquestionável

A esquerda é senhora absoluta da mentira, da falsificação e da "recriação" da História, à imagem e semelhança das imaginações dos próprios militantes socialistas. Ao longo dedécadas, o movimento marxista espalhou por todos os coninentes o mito de que Trotski teria sido um simpatizante do hitlerismo e um sabotador capitalista - apesar de o bolchevista ter sido o principal líder militar da Revolução de Outubro. O socialismo não conhece piedade para com os seus, quando entende que os soldados se tornam obstáculos para os "propósitos maiores" do movimento. Marx caluniou e fez uso das expressões mais sórdidas contra seus adversários - chegou mesmo a praticamente destruir a Primeira Internacional, quando percebeu que seu "socialismo científico" perdeu espaço para o anarquismo, muito mais forte que o grupo instruído pelo Manifesto, no Século XIX. Lenin fuzilou e espalhou os boatos mais absurdos contra os socialistas discordantes do sistema de partido único - os antigos revolucionários agora se tornaram "inimigos de classe". Stalin foi muito além disso: exterminou a elite militar soviética, e passou a ver "traidores" entre os melhores homens do Exército Vermelho. O movimento marxista internacional comprou cada uma das mentiras, que continuam a ser repetidas pelos "partidos irmãos", em cada país onde eles ainda existem. O bom militante comunista está disposto a dizer que Trotski era um "fascista infiltrado", o bom trotskista dirá o mesmo de cada militante de facção concorrente. A mentira é parte do código genético: mentir é testemunhar a favor da edificação socialista. A esquerda brasileira, até hoje, repete estórias dignas de romances de fantasia baratos a respeito de torturas com "ratos", "baratas" e outros relatos copiados diretamente de mitos criados nos anos da Primeira Guerra Mundial. Conhecendo tudo o que o movimento socialista já fez contra seus adversários, sabendo que os socialistas estão dispostos a mentir e mentiram compulsivamente contra todos os que se opuseram a seu projeto de poder totalitário, resta perguntar: por que alguém deveria acreditar nos marxistas quando estes acusam um oficial, que lutou contra a guerrilha patrocinada por Cuba, de ter cometido tortura? Que credibilidade merece um movimento responsável pelo extermínio e tortura de dezenas de milhões de seres humanos em nome do poder absoluto de uma "elite iluminada"? De difamadores compulsivos, apenas é possível esperar mais difamações.

Trotski, acusado de "fascista" por Stalin
Imagem: Wikipedia / Published by Century Co, NY, 1921
The Russian Bolshevik Revolution
(free pdf from Archive.org)
O debate a respeito de Ustra diz muito a respeito de como a mídia brasileira trata toda e qualquer alegação, ou esforço de propaganda, da esquerda. O mundo já viu as verdadeiras condições de miséria e sofrimento dentro dos hospitais cubanos - ainda assim, os veículos de comunicação repetem insistentemente o conto a respeito da fabulosa melhoria da medicina cubana, após a revolução. Que a medicina cubana já era excelente antes da ditadura de Castro, nenhum jornal brasileiro menciona. O país, conforme o escritor e dissidente cubano Humberto Fontova, possuía, antes do socialismo, um IDH comparável ao da Bélgica de então. A economia era próspera, e o salário mínimo era invejável para os padrões de todos os países da América Latina. Cuba possuía índices de alfabetização formidáveis - outra mentira é que Castro teria "educado" e "alfabetizado" os cubanos. A leitura dos materiais didáticos da nação mostra que, ao contrário do propósito instrutivo das escolas de antes do regime, as instituições de hoje, sob o Estado totalitário, tem o único e intocável objetivo de doutrinação política. História ou Matemática não têm valor - a idolatria da "casta revolucionária", do partido, está acima de tudo. Os escritores e poetas do país são perseguidos e humilhados, alguns são vítimas de desavergonhada perseguição racista pelo sistema que se declara socialista - de fato, o socialismo sempre considerou como método de conquista do controle total o genocídio e o preconceito. Carles Llorens e Claudia Pujol mostram como se comporta a cria do movimento marxista diante das minorias - para o negros, poetas, escritores, críticos, homossexuais ou para qualquer um que o governo entenda como inimigo, o "paraíso dos trabalhadores" oferece coronhadas, celas, torturas e uma bala na nuca, à moda NKVD. O mito da educação cubana é repetido ad nauseam, assim como o conto sobre a saúde pública edificada por Castro ou qualquer outro dos méritos humanitários propagandeados pelos simpatizantes. A militância de esquerda não mente apenas sobre regimes, líderes e opositores: mente sobre si mesma, mente sobre as bases de sua ideologia. O ambiente acadêmico ainda se recusa a abordar a brutal lista de falsificações no mais importante texto de Karl Marx - "O Capital". A obra inteira é baseada na fraude sobre os dados econômicos que fundamentam algumas das mais essenciais premissas do Weltanschauung socialista-científico, incluindo a "pauperização do proletariado". Marx sabia que os operários ingleses não estavam ficando mais pobres sob o capitalismo: eles estavam ficando mais ricos - o autor leu isto, entendeu o que significava para o poder de seu movimento e a segurança de sua argumentação, e falsificou tudo o que poderia comprometer suas promessas do futuro sob a "orientação invencível" do partido comunista. Toda a esquerda insiste em se referir a ele como "filósofo" e "grande economista": a mídia, por subserviência digna da mediocridade da classe jornalística, repete a bobagem, em toda e qualquer publicação que faça referência ao falsificador. Não há Filosofia se não há amor pela Verdade, não há crédito ou dignidade que possam ser dados à escória. O movimento não falsificou um ou outro fato: falsificou tudo, mentiu sobre seus fundamentos, sobre sua História, sobre seus ídolos, sobre seus regimes, sobre seus líderes e sobre seus inimigos. O que o regime soviético fez com a memória de um de seus fundadores - até mesmo com suas fotos, lembrança das proporções da vilania marxista - e o que o regime chinês fez com "Madame Mao", após o fim da Revolução Cultural - são o melhor registro da natureza das pessoas que agora têm a mendacidade para acusar pessoas inocentes como se fossem "torturadores", "assassinos" ou como se tivessem realizado "ataques a bomba". Ustra cometeu torturas? É impossível saber, mas só um idiota completo acreditaria nas "testemunhas" - "as prostitutas das provas", conforme a expressão do Direito - integrantes da guerrilha. Sabendo o que é o movimento comunista, é impossível dar crédito às alegações da esquerda: que façam como Richard Wurmbrand, e realizem exames, exibidos em público, para provar cada uma das afirmações. Bolsonaro agora é acusado de "terrorista", por ter supostamente realizado um ataque com bomba durante a década de 90. Que os acusadores apresentem suas provas, seus exames, que ofereçam algo além do relato dos maiores mentirosos compulsivos que a humanidade já conheceu.

O movimento conservador brasileiro, por sorte, já não é tão crédulo quanto foi em outros tempos. Muitos entre os escritores da direita já endossaram toda e qualquer acusação que a esquerda fazia contra os militares - finalmente, os neurônios despertaram do torpor, e as pessoas começam a se perguntar: "se eles mentiram em todas as outras ocasiões, por que estariam dizendo a verdade agora?". Questionar os apoiadores do sistema mais genocida desde o surgimento do homem no planeta deve ser algo natural - o país sabe com quem está lidando. Se eles se matam entre si, porque não espalhariam estórias absurdas sobre seus maiores inimigos e mais eficazes opositores? A esquerda não sobrevive à livre-expressão de opiniões contrárias: foi a gradual concessão de liberdade de expressão que sepultou os Estados marxistas da Europa Oriental. A esquerda precisa da fé absoluta para existir: é natural questionar promessas extravagantes e acusações evidentemente mal-intencionadas. A demolição da confiança no movimento esquerdista brasileiro é apenas mais um sintoma de sua decadência - se a Existência tiver misericórdia do país, é um sinal da agonia derradeira do bolchevismo em seu território. Para a derrota dos partidos socialistas no Brasil, é essencial perder o medo de fazer perguntas sobre o discurso da esquerda. É vital destruir a narrativa fantástica que cada um dos militantes faz sobre sua facção e sobre a constelações de organizações associadas, assim como a respeito dos supostos "mártires" da causa. Lamarca não pode receber o título de "revolucionário"; deve ser chamado de terrorista, assassino, torturador - aliás, é exatamente isso que ele foi. Um desertor do Exército Brasileiro que ingressa no movimento marxista e executa ex-companheiros a coronhadas na cabeça, para poupar balas, não merece memoriais e honra: nos seus últimos dias, o militar traidor merecia o mesmo destino de Eichmann, e agora, merece o mesmo desprezo que a sociedade reserva para os assassinos e vigaristas comuns. Essa postura é a única compatível com a realidade da esquerda, e é natural. Qualquer um desconfiará de um mentiroso compulsivo -  assim o observador se comporta em sua vida particular ou no trabalho. O pesquisador dificilmente confiará em um colega que mente ou forja dados para seus trabalhos. A vida política exige o mesmo rigor, para que seja validada a afirmação de qualquer personalidade. Questionar os marxistas é a resposta natural à maldade, às doenças espirituais e às mentiras  que leninistas e "companheiros de viagem" espalharam por todas as nações.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A defesa do indefensável

O circo de aberrações da esquerda brasileira atingiu novos patamares de baixeza moral, civilizacional e estética nos episódios que sucederam a votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff. A violência dos discursos não seria novidade - antes da tentativa de derrubada do atual governo, na tramitação do processo no parlamento, a militância socialista já avisava que iria promover "guerra civil", "invasões" e ações de "exércitos" como o MST, caso o projeto de poder do Foro de São Paulo fosse ameaçado. Isso não é absolutamente nada, quando o falatório é comparado às obras escritas e "humanitárias" dos socialistas-modelo dos séculos anteriores. Karl Marx e Friedrich Engels pediram o genocídio do que chamavam de "lixo étnico" - os "povos reacionários", "resíduos" espalhados em todas as nações prontos para resistência contra o "paraíso dos trabalhadores" a ser impleantado pela elite revolucionária, o "proletariado", que nada mais é, para a esquerda, do que os próprios vozhdi do marxismo. Os gestos de barbárie troglodita do deputado Jean Wyllys e do ator de televisão (grande amigo de José Dirceu, por sinal) são a projeção linguística do que a esquerda é - o que o representante do PSOL fez, durante a votação, é apenas uma demonstração do tipo de abordagem que a esquerda aplica a toda a barreira que se oponha aos sonhos de poder do "partido da vanguarda". A conduta de um parlamentar não importa, desde que esteja submetida aos propósitos da liderança revolucionária. A linguagem, a civilização, o mínimo de postura que se espera - não de um político, mas de qualquer ser humano - não importam: o que importa é mostrar aos "reacionários" que o grupo representante do futuro perfeito não podem conhecer a frustração. Curvar-se à civilização é abrir mão do "poder soviético". Lenin não dialogava no bom idioma eslavo com seus adversários: "jogava todos pela janela", como dizia Stalin. Quando os trabalhadores de Penza e os marinheiros de Kronstadt se levantaram contra o bolchevismo, Lenin - e Trotski - passaram a classificá-los como "pequeno-burgueses", passaram a afirmar que os mesmos indivíduos que serviram nas tropas da revolução agora haviam se tornado inimigos de classe. Capitalistas e sabotadores haviam se infiltrado nas fileiras dos que foram os primeiros nas tropas vermelhas de outubro. Uma vez que o obstáculo seja erguido contra a "vanguarda dos operários e soldados", ele deve ser derrubado com violência exemplar. Lenin dizia: "se o inimigo resistir, ele deve ser exterminado". Foi o que o bolchevismo fez com os camponeses, os operários, a intelectualidade, os cossacos os nobres e até contra os bolcheviques que passaram a questionar a causa. Foi o que a esquerda fez com o bom-senso, a linguagem, a razão, a coragem, as artes, a civilização e tudo aquilo que a "vanguarda" entende como obstáculo à "sociedade vindoura". É por isso que o ator de quinta categoria, que nunca será reconhecido além das terras dominadas pela revolução cultural, jamais pedirá desculpas. É por isso que a esquerda jamais reconhecerá o que fez - e está fadada a repetir.

Jair Bolsonaro não provocou Jean Wyllys, e isso fica claro no registro em vídeo do episódio. O deputado socialista alegou, todavia, que havia sofrido "ofensas homofóbicas" por parte do conservador. As alegações são claramente uma mentira - a única coisa que Bolsonaro fez foi repetir a palavra de ordem "Tchau, querida!", lançada pelo próprio Luiz Inácio Lula da Silva, aliás. Não há ironia maior - todos sabem que o ex-presidente é um homofóbico e machista de grosseria suína, e provavelmente é o tipo de sujeito que efetivamente deve se permitir grosserias contra minorias ou contra os protegidos pelo "politicamente correto", quando está apenas na presença de amigos. É exatamente isso que ficou claro, após a divulgação das conversas pessoais de Lula. A sugestão do estupro coletivo contra uma de suas correligionárias dá testemunho de toda a grandeza moral da "vanguarda". Mas a razão, o bom-senso e o amor pelas minorias deve passar longe, se o conjunto dos valores irá oferecer problemas para o "socialismo petista", para a "revolução" que a delicada elite partidária brasileira gostaria de fazer. Nenhum dos grandes líderes socialistas tinha qualquer preocupação com a possibilidade de ofender povos inteiros, minorias, indivíduos ou acabar com qualquer resquício de conduta civilizada na conduta pública. Por que Lula, Jean Wyllys e José de Abreu deveriam cultivar hábitos diferentes? "Para fazer uma omelete, é preciso quebrar ovos", para refazer o mundo do teto aos alicerces, é necessário derrubar tudo o que está aí. Sem a demolição completa da normalidade humana, o "novo homem", o "super-homem", a "humanidade pura" jamais nascerá. Para um movimento que passou mais de cem anos em defesa incansável do genocídio, o que é a linguagem? Sem compreender que tudo, absolutamente tudo, é justificado pelo movimento revolucionário, é impossível entender o movimento esquerdista moderno. É disso que falam Eric Voegelin e Russell Kirk quando comentam a respeito da "impossibilidade de questionar": o "movimento" não pode admiitir dúvidas. Tudo se resume ao futuro, tudo se justifica em nome do futuro, tudo será feito em nome do futuro - todo o que já foi feito deve ser aceito como necessário ao que virá, e todos os erros serão repetidos porque, como o Século XX ensinou, a sociedade prometida nunca chegará. O sonho, todavia, termina com lágrimas, desilusão e alguns suicídios nas fileiras leninistas.

Imagem: https://goo.gl/n5fHsE
Quando José de Abreu se recusou a pedir desculpas por seu gesto, está apenas dando testemunho do que é toda a ideologia: não é possível pedir desculpas pela edificação do advento do socialismo. O futuro não pede desculpas, e, como o nome sugere, "a vaguarda do proletariado", "a vanguarda da humanidade" - que é o que a elite revolucionária gostaria de dizer, com franqueza - é o futuro encarnado. "A vanguarda" é o messias, "a vanguarda" é o que Münzer dizia de si mesmo, "o novo profeta Daniel". O movimento revolucionário se vê como o futuro, que não pede gentilmente para nascer: a revolução será sangrenta e impiedosa. O movimento possui um caráter notoriamente escatológico - imagina que é "o fim da História", a organização social que irá transcender a sociedade de classes ou de castas. O futuro não irá conhecer injustiças, e é em nome de perfeição que todas as imperfeições podem ser cometidas. Só as gerações vindouras podem julgar "a vanguarda", "a elite de revolucionários profissionais", então o que significa um pequeno gesto de imundície? Tudo é permitido aos porcos que colocam a si mesmos no papel de juízes de quais seres humanos merecem ou não a vida. Lenin reservou-se o direito de dizer quem eram "os parasitas", "os sanguessugas" e quais pessoas eram integrantes da "classe revolucionária" - para um "novo Daniel", até um integrante da nobreza como o fundador da KGB, Felix Dzerzhinski, pode ser feito "proletário". O que o ator quer dizer é: "eu posso". Quando toda a esquerda justifica a quanidade de atos criminosos cometidos nos últimos meses em nome da causa, o que quer dizer, de fato, é que "o movimento está autorizado a fazer tudo isso" - a promessa de um paredão de fuzilamento, por um líder do PCB, é um aviso: "podemos fazer isso também".

O "eu posso" do movimento revolucionário é talvez a mais importante marca do movimento gnóstico - é um sintoma claro do que atormenta os cérebros dos militantes socialistas. O "eu posso" é o eco das poesias de Karl Marx - é a revolta contra a existência. O socialista vê a si mesmo como um "injustiçado" por Deus, como Münzer fazia. "O que aí está é corrupto, vil - através da vilania eu irei purificar o campo. O sofrimento dos camponeses é consequência da sociedade dos ímpios - levarei sofrimento horrendo a cada um dos ímpios, e criarei um mundo de alegria". Os usurpadores do papel do Messias não cometem seus crimes por desejarem a felicidade universal: fazem tudo o que fazem porque, no fundo, acreditam que possuem o discernimento para criar um "mundo perfeito", um "novo homem" e uma sociedade de alegria e abundância infinitas. Cada um dos gestos da "vanguarda" é um testemunho de que os criminosos se imaginam como capazes de transcenderem a realidade e recriarem tudo o que há, "de cima", "de fora". O "partido de Lenin" é o entalhe da própria presunção demoníaca no mundo dos homens, é um tributo à estupidez de indivíduos incapazes que entendem a si mesmos como muito superiores às suas tristes vidas miseráveis. Em um ciclo vicioso infernal, cada erro se torna um acerto, porque, nas mentes pervertidas, é prova de dedicação ao "futuro perfeito" - quanto mais a escória se destrói, mais fica feliz em naufragar. O ódio gnóstico contra a existência justifica cada passo e crime, cada absurdo e cada violação - os cátaros odiavam a própria vida humana, "corrupção", "podridão", que deveria, em última análise, deixar de existir - séculos antes de Stalin, a tradição milenar já havia dito: "sem homem, sem problema". O bolchevismo odeia cada vida humana que se posiciona contra "o futuro" - os arquitetos da sociedade dos justos estão autorizados a toda inustiça - como Karl Marx, os "engenheiros" gritam blasfêmias contra a Realidade, e sentem-se moentados na razão ao fazê-lo, porque "sabe como edificar uma melhor". A corrupção mais baixa, mais mesquinha e mais maligna nunca conheceu tamanha multiplicidade de disfarces - aliás, elaborados com esforço de um exército de comparsas no crime.

Para alguém envolvido até o pescoço no movimento revolucionário (ou contaminado severamente pela deficiência mental do gnosticismo) é praticamente impossível confessar culpa. O disfarce "com os mais belos e humanitários fins" da perversão é o mais confortável dos leitos. É a muleta perfeita para os maus, os fracos de espírito, os mesquinhos, os covardes, os que já possuem a alma imundo a tal ponto em que se torna quase irrecuperável. Para os psicopatas, que constituem a maior parte dos luminares "do movimento" e "entre os companheiros de viagem", é um desafio ainda maior. A ausência de imaginação moral jamais permitirá ao criminoso ver a si mesmo - tal como o vampiro, o revolucionário não pode ver seu próprio reflexo, e, se o visse, é provável que teria o destino de um Dorian Gray. A queda do revolucionário é confessar quem é - ele é proibido de pronunciar seu próprio nome. Se o fizer, sua mentira, que abraça como falsa personalidade, morre inevitavelmente. Ver quem é, entender quem é, será ter ódio contra sua própria alma. O revolucionário não pode fazê-lo, ou por uma doença mental, como descrito por Łobaczewski, ou por medo da confessar sua condição de pequenez. O revolucionário não quer apenas refazer a Realidade: ele a odeia, e tem medo dela. Por acreditar que já está condenado, Münzer deseja, acima de tudo, o poder sobre o tribunal - condenando a todos, ele pensa que talvez tenha alguma chance de se salvar. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O impeachment e o estamento burocrático

Desde o início das discussões a respeito do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o jornalista e filósofo Olavo de Carvalho mostrou-se contra a proposta, o que provocou críticas vindas de movimentos como o "MBL", defensores da tese de Hélio Bicudo. O posicionamento de Olavo a respeito do impeachment não diz respeito à necessidade de derrubada do governo petista - que é óbvia desde o primeiro dia de Lula na presidência - mas sim ao meio empregado na derrota dos socialistas. Olavo de Carvalho não está apenas contra o Partido dos Trabahadores - está contra toda a constelação de partidos e organizações socialistas e comunistas que funcionam como alicerces para o movimento totalitário nacional, parte de um projeto muito maior e mais antigo, de proporções internacionais e com o apoio de um lobby formidável, financiado por grandes figuras como George Soros, o patrono endinheirado da legalização da maconha no Uruguai.

O Brasil precisa derrubar o PT, é evidente - a organização pretende arruinar a soberania nacional e entregar o país ao movimento "bolivariano" continental. Lula, como já confessou, tem o interesse de "recuperar na América Latina o que foi perdido na Europa Oriental", através do Foro de São Paulo. O problema é que não apenas o Partido dos Trabalhadores pretende seguir esta agenda - todos os seus satélites querem o mesmo, incluindo algumas das siglas mais poderosas do Brasil, como o Partido Comunista do Brasil, de Jandira Feghalli, aquele mesmo grupo que não hesita em elogiar a "Coreia Popular", na qual famílias inteiras de "sabotadores burgueses" são condenadas à morte em uma rede de campos de concentração tão brutais quanto o "arquipélago Gulag". O PT é um inimigo do Brasil, mas é apenas o topo de uma pirâmide de grupos muito bem estruturada, que conta com aliados e protetores de vasta influência no país e fora dele - incluindo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, a maior tropa paramilitar do hemisfério sul. Sem uma abordagem que deixe toda a articulação incapacitada, a derrota do PT não terá valor algum, e apenas servirá para que a esquerda se reconstrua e torne-se mais eficiente.

Olavo de Carvalho insiste em se referir ao processo pelo qual o país está passando através de uma expressão que provavelmente não é compreendida pela maioria de seus críticos marxistas - ele usa o termo "Revolução Brasileira". A Revolução Brasileira não é, de forma alguma, uma revolução em sentido convencional - marxista - do termo: não se trata de uma mudança social ocasionada pela transformação dos meios de produção. Não é a ascensão da burguesia, ocasionada pela agonia do modo de produção feudal e pela ascensão das forças produtivas que dariam à luz o capitalismo. É uma Revolução no sentido que os Founding Fathers da independência americana deram à palavra. É a retomada da normalidade civilizacional, intelectual e espiritual de um país. A insurreição anticomunista que o Brasil está vendo nascer é a nova guerra de independência, dessa vez, contra o projeto socialista-"bolivariano" continental, e contra os interesses de metacapitalistas que financiam os partidos da esquerda na América Latina. Para que essa revolução tenha sucesso, é preciso que a vasta maioria do povo brasileiro expulse da vida pública todos os integrantes da "patocracia" - para usar o termo de Łobaczewski - impiedosamente, um por um, e que todos eles sejam humilhados e expostos diante da opinião pátria, que é majoritariamente cristã e conservadora. Olavo tem consciência de que o povo brasileiro detesta o ideal comunista, a ideologia baseada no "ódio de classes" e quer jogar "na lata de lixo da história" o anticristianismo dos movimentos de massa atuais. O processo exige a tomada de consciência nacional, o surgimento e atuação "do povo como ator", do "povo brasileiro como arquiteto que cria seu próprio futuro", baseado nos princípios civilizacionais que criaram este país, as nações vizinhas e até mesmo os Estados Unidos - a América nasceu cristã, e foge do socialismo porque reconhece a incompatibilidade entre a tirania bolchevista e a liberdade ocidental. O impeachment é uma traição à revolução, porque devolve à elite burocrática socialista o poder de decisão sobre os caminhos do país e submete o povo, mais uma vez, ao papel de coadjuvante.

Para o filósofo, apenas a revolução popular possui legitimidade - porque, para o próprio povo, apenas a própria nação possui autoridade para limpar-se da escória totalitária. Olavo, analista que nunca errou em suas principais avaliações, entendeu o espírito do pais, compreendeu o que os brasileiros esperam de si mesmos. O ódio à classe política, amplo, absoluto e belicoso - "nunca antes na História do pais" um líder recebeu tamanhas ofensas, diante de todos - é, na verdade, o ódio a toda a degeneração moral do movimento coletivista. A opinião das ruas é inegável - o Brasil quer liberdade econômica, quer a prosperidade do desenvolvimento capitalista das grandes nações ocidentais industrializadas, quer a tradição cristã e quer a justiça aplicada aos vermes da política leninista e aos criminosos convencionais. Em poucas palavras, o Brasil quer a normalidade, quer ser o país de pessoas trabalhadoras, dedicadas, cristãs e, acima de tudo, amantes da liberdade, que sempre foi. O país cansou-se da ideologia dos "grandes líderes" - chega do varguismo, cria deformada do fascismo. Cansou-se do petismo lulista, aberração originária do marxismo. O brasileiro sempre quis viver em uma nação ocidental, capitalista, democrática e desenvolvida - quer o retorno ao que foi antes do teatro ideológico que começou com o fim do Império. O Brasil quer voltar a poder usar seu nome como símbolo de uma nação próspera e poderosa - quer abandonar as vestes da imundície e fracasso, jogadas sobre seus ombros pelos "vozhdi" vermelhos. O único caminho para a "volta à normalidade" é uma revolução - não a "revolução social", mas a Revolução Americana, um novo ano de 1776, quando a liberdade e a tradição "testada e vitoriosa" sobre o tempo venceram a tirania absolutista, que tentava acabar com a prática das liberdades individuais no Novo Mundo.

O impeachment é a negação da consciência nacional - é a rendição do país à casta burocrática bolchevista. É conferir à podridão sentada nos tronos do país a liderança sobre a independência nacional da ideologia. É trair o que o Brasil é, e jogar fora o despertar da nação, que grita desafios nunca imaginados aos "líderes", humilhados e acovardados. O autor quer que o despertar continue - ele sabe que essa é a única estrada possível para a liberdade. Não será um Lenin ou um Pedro II que fará o futuro do país - será o próprio Brasil, livrando-se do estamento ideológico que se propagou como um câncer, e que cultiva a pretensão de controlar os mínimos aspectos da vida nacional. O país está vivo e consciente, e não deixará que os parasitas voltem a ditar os passos de metade da América do Sul.

Assista ao comentário de Olavo de Carvalho sobre o "estamento burocrático":

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Yuri Bezmenov - Por que o vigor intelectual é uma questão de vida ou morte

A leitura das obras de Antonio Gramsci dá uma boa perspectiva do que é a aplicação da estratégia marxista nos mínimos detalhes da vida civilizada - no volume segundo dos Cadernos do Carcere, o socialista italiano sugere a importância da interferência direta nas escolas, para a aplicação das "estratégias de longo prazo" que vira como necessidades, ainda em seus escritos políticos nos anos de liberdade. Gramsci realiza um trabalho magnífico de estudo dos mais diversos assuntos e da edificação de um programa estratégico coerente, sobre camadas e camadas de análise de problemas muito concretos. Ainda que seus livros tenham um valor inestimável para estudantes do marxismo - sejam eles marxistas, "marxianos" ou marxólogos, conforme a distinção de Aron - simpáticos ou contrários à causa (como o autor destas linhas), Gramsci acaba por encolher formidavelmente diante dos autores que serviram diretamente ao projeto marxista. Pela própria natureza de seus escritos - estratégicos, de discussão de medidas reais a tomar para a conquista do poder - Gramsci é fraco como uma brisa diante dos verdadeiros soldados do sistema soviético, sejam eles homens do exército vermelho ou dos "órgãos". É por esta razão que Yuri Bezmenov brilha formidavelmente diante do teórico - aquilo que Gramsci apenas sonhou, diante do fracasso, Bezmenov fez com suas próprias mãos, viu, percebeu e entendeu in loco. 
Yuri Bezmenov na Índia: foi designado para investigar
hábitos de jovens de classe média americana sobre
"religiões asiáticas", meditação e consumo de drogas
Imagem: http://goo.gl/Q7ymLm

Bezmenov, como Suvorov e Volkogonov - respectivamente, integrantes do KGB, GRU (Inteligência Militar Soviética) e Exército Vermelho -, tornou-se crítico feroz do comunismo, em grande medida pelo sofrimento que o sistema soviético impôs não ao próprio agente desiludido, mas a seu povo e a outras nações, gradualmente conspurcadas pela imundície da ideologia leninista. Bezmenov foi, sem saber, uma engrenagem na máquina elaborada por Antonio Gramsci, a qual curiosamente só começaria a funcionar após o fim da vida de seu idealizador. Dentro do aparato de propaganda, Bezmenov atuou como agente, na Índia, e auxiliou em golpes de Estado que levaram serviçais do sistema soviético ao poder na Ásia. Ele entendeu que a missão dos cidadãos soviéticos designados para operações nas nações do terceiro mundo não era "libertar" ninguém do imperialismo - era apenas marcar os nomes daqueles que deveriam morrer na revolução. Era, além disso, tornar as futuras vítimas tão frágeis quanto possíveis - para isso, a arma empregada era a destruição de qualquer conhecimento ou hábito de valor nos objetos da conquista, em escala muito mais ousada do que a sugerida pelo antigo líder do PCI.

Um aspecto que chama atenção nos escritos de Suvorov e Bezmenov é a ênfase em coisas que parecem pouco significativas para "o advento do comunismo", como a "meditação" sobre a qual Bezmenov discute, em uma de suas palestras, ou a identificação de indivíduos que tenham o hábito de contratar serviços de prostitutas, ou mesmo de pessoas que sejam homossexuais - como registrado na obra "A Inteligência Militar Soviética". O ponto é que, para a estratégia de desmoralização - que vai muito além das "reformas educacionais" ou da "guerra de posição" - duas coisas aparentemente irrelevantes são, na realidade, muito necessárias: uma, que desempenha papel nos estágios posteriores à desmoralização em si, é o "mapeamento" de uma sociedade. O projeto marxista-leninista não pode se contentar apenas em tomar os órgãos formais de poder - é necessário ter o poder até mesmo sobre os criminosos mais pérfidos, ou, caso seja necessário, saber seus nomes e tudo o que for possível sobre suas vidas, para que o esforço necessário em seu extermínio seja o menor possível. Os agentes que realizam a desmoralização precisam saber quem são os indivíduos vulneráveis à chantagem e à ameaça, os indivíduos sem escrúpulos, dispostos a tudo por poder ou recursos - as pessoas com desvios sexuais mais gritantes, os que contratam ou estão ligados a prostitutas, os traficantes e os simplesmente gananciosos o suficiente, todos esses são sempre colocados entre as "prioridades" na sondagem do ator da campanha de sabotagem. Ao mesmo tempo em que a URSS mantinha o maior número desses indivíduos em uma proximidade útil, financiava uma estrutura colossal na promoção de tudo o que fosse inútil e nocivo para as capacidades intelectuais e até mesmo físicas dos ocidentais. A atuação dos partidos comunistas colombiano e cubano neste sentido é importante, como é discutido no livro "Red Cocaine", mas o exemplo dado por Bezmenov, sobre o estudo da meditação, é simplesmente notável.

Ion Mihai Pacepa - na companhia de nomes como Olavo de Carvalho e Ronald Rychlak - já discutiram amplamente sobre o papel desempenhado pela chamada "Teologia da Libertação" na destruição da religião cristã. A instrumentalização do catolicismo, com a finalidade óbvia de substituir a doutrina religiosa pelo pensamento marxista, fica clara através da observação das ligações políticas dos líderes do movimento, ou ainda através de seu discurso de classes, e a mais recente substituição da fé cristã pela crença em "Gaia" - no discurso do mais famoso apóstata brasileiro - tira qualquer dúvida a respeito da finalidade patológica do empreendimento socialista na religião. Bezmenov traz mais um capítulo dessa incursão do marxismo no espírito, com sua exposição do uso da religiosidade oriental - e das fraudes que se vendem como parte dela. O que o jornalista viu na Índia foi, com as filhas jovens  e incultas de americanos tolos o bastante para pensar que a contracultura fosse apenas um capricho da época, rigorosamente o mesmo que a Teologia da Libertação faz com a beutiful people brasileira - de fato, não é apenas a elite que foi varrida pela falsa religião instrumentalizada pelo socialismo: os mais pobres são submetidos pela horda de falsas igrejas protestantes simpáticas ao esquema petista, mais notoriamente, a seita do auto-intitulado "bispo" Edir Macedo. O discurso da falsa religião pregada aos adolescentes estúpidos no oriente, que não fala da realidade, apenas da "paz" ou do "equilíbrio interior" é exatamente o mesmo tipo de lixo consumido às toneladas neste lado do globo, mas na forma de literatura de psicologia pop ou na conversa mansa dos líderes religiosos "pelos mais pobres". Yuri Bezmenov rapidamente entendeu seu papel na máquina de demolição civilizacional marxista, e deixa muito claro o que se passava - ele teve o melhor dos treinamentos militares e intelectuais, tornou-se um homem versado em muitos idiomas e com uma capacidade de expressão formidável. Possuía a capacidade física de um atleta, e treinamento militar de qualidade. Cada um desses elementos foi assegurado pelo Estado Soviético em sua formação por uma razão muito simples: a razão de ser do cidadão socialista é a expansão do sistema e a gradual conquista dos vizinhos ainda não "coletivizados". As escolas russas, até os dias de hoje, fornecem treinamento militar básico, em tradição que remonta à década de 1930 - talvez vá ainda mais longe. Ao mesmo tempo em que o sistema fazia de tudo para formar cidadãos-soldados, todo o esforço de inteligência e propaganda era destinado à demolir a vitalidade, a moral e a inteligência do adversário - e este propósito foi alcançado com sucesso. A decadência visível das letras nos países ocidentais, assim como o horror da música contemporânea, dão testemunho do sucesso desta verdadeira agressão geracional. O que Gramsci apenas sugere é um átomo do que Bezmenov fez, ainda que na modesta condição de "fundionário" da máquina, ou do que ele viu. Ao italiano, naturalmente, vai o "crédito" pelo projeto, mas o ator russo é mais didático: Bezmenov não fala discretamente. Os exemplos são tragicamente óbvios, imediatos tangíveis, e seu impacto é sentido sem qualquer atenção especial.

O mais importante nas poucas palavras deixadas por Bezmenov aos indivíduos que lutam por uma sociedade "humana e normal", nos termos que ele coloca, é o aviso : o projeto leninista se baseia em permitir que o inimigo de devore por dentro. A conquista da revolução é sempre sobre uma carcaça podre - Lenin, o maior estrategista que a humanidade já viu, fundador de um modelo de partido copiado por homens que não de Saddam Hussein a Adolf Hitler, entendia muito isso bem. As armas com as quais Lenin edificou o poder soviético não foram "os trabalhadores e os camponeses" - foram os ricos degenerados, os traficantes, assasinos, pervertidos, nobres decaídos - como Dzerzhinski -, foram a gradual queda da Rússia na violência e no crime. A arma com a qual Lenin manteve o poder, depois de conquistado, foi a disciplina feroz. A proteção que Bezmenov oferece contra o bolchevismo é algo muito mais fácil de se alcançar do que o "comunismo de guerra". É, pura e simplesmente, o foco nas coisas úteis, produtivas, pragmáticas. O estudo sincero da realidade e da natureza dos problemas enfrentados pela sociedade. É, também, chamar as coisas pelos nomes, chamar os inimigos de inimigos. Yuri Bezmenov apela para que os ocidentais permaneçam fiéis às suas tradições milenares - não importa quais sejam -, pede que mantenham-se alertas e evitem o distanciamento do mundo real através de distrações pueris, autoengano ou prazer egocênrico descontrolado. A mensagem que o autor russo deixa é muito simples: enquanto o Ocidente se desfaz em lama, seus inimigos crescem em astúcia e força. A paz, como diz o ditado romano, é a preparação para a guerra.

Vídeo: Yuri Bezmenov sobre sua atuação na Índia, sobre as seitas "new age" e sobre a subversão



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O Bolivarianismo treme

O comunismo (e os movimentos de esquerda, em geral) é extremamente impopular, e normalmente desperta reações de ódio em qualquer nação na qual venha a se estabelecer, seja na forma de regimes totalitários de partido único ou sob a máscara de "socialismos democráticos", como ocorre nos países escandinavos - supostamente, onde a social-democracia criou "paraísos esquerdistas", mas, na realidade, onde os movimentos "marxianos" acabaram por instituir sistemas paranóicos, quase esquizofrênicos, de assistencialismo e policiamento até de pequenos comportamentos individuais, intitulados pelos súditos de "hospícios" (fica a recomendação da leitura de "Madhouse", do autor sueco Daniel Hammarberg). A reação polonesa ao modelo esquerdista é proverbial, mas não isolada - Ucrânia, os países bálticos, a República Tcheca, a Hungria e até mesmo a Rússia vivenciam ondas de movimentos anti-comunistas (alguns dos quais possuem viés nacional-socialista, racista, antissemita e outros do campo autoritário) que apenas dão testemunho da reação de desgosto provocada pelo projeto, nas mais diversas comunidades. A Venezuela entrou para o rol de países que criaram franca antipatia pelo esquerdismo - como testemunhado nas últimas eleições -, a Argentina vivencia o mesmo e o Brasil já é forte candidato a adotar uma postura "lituana" diante do Partido dos Trabalhadores. O que se observa na América Latina é exatamente o mesmo tipo de fenômeno que levou ao colapso do socialismo no leste europeu: ira despertada por uma propaganda utópica francamente mentirosa e pela catástrofe econômica e social. O problema, para os companheiros, é que o ódio popukar ameaça o projeto "muy guapo" do super-partido chamado Foro de São Paulo.

O gradual enfraquecimento do esquema de poder inaugurado por Lula e Fidel Castro começou a ser observado nas ondas de protestos populares em anos anteriores contra o governo de Cristina Kirchner. A líder Argentina enfrentou greves, panelaços, paralizações importantes na economia e até mesmo teve de encarar de frente sindicatos do país, que, teoricamente, deveriam constituir a base de apoio de um governo que se considera herdeiro da mentalidade política de Perón, ou, ainda mais grave, de um governo que se supõe aliado dos "partidos da vanguarda" do proletariado latino-americano, através do Foro. Para sua grande frustração, o povo argentino, que deveria ser a espinha dorsal de um regime populista, se mostrou seu maior antagonista, e, em grande ironia, enfraquecida justamente pelos sindicatos que gostaria de representar, Cristina acabou por perder as eleições contra Macri, ainda que por tabela, na figura de seu sucessor, Scioli. A derrota de Cristina Kirchner foi uma grande punhalada no corpo do Foro, mas não foi a única.
Mauricio Macri, novo presidente da Argentina
Imagem: http://goo.gl/A1MJly

O regime socialista venezuelano vem enfrentando protestos importantes, que começaram ainda nos anos do governo de Hugo Chávez. A população inicialmente se mostrou indignada com os graves problemas de abastecimento que flagelam o pais, com escassez de inúmeros artigos básicos de alimentação, higiene, com uma inflação galopante e até mesmo com falta de medicamentos. A penúria "soviética" que aflige os venezuelanos não é o único tormento: o país também registra um aumento expressivo da violência urbana, que surge para coroar o cenário de caos econômico e civilizacional criado por mais de uma década de sistema bolivariano. Vale lembrar: o governo também criou uma lei de desarmamento, que, até o momento, apenas contribuiu para agravar os números de homicídios por ano, já vistos como entre os piores do continente, competindo com os dados brasileiros. Os súditos do chavismo se revoltaram contra este verdadeiro calvário, e a resposta estatal não ajudou em nada a imagem interna do poder socialista: durante as revoltas, centenas de manifestantes foram presos, muitos outros entre os revoltosos foram feridos, e o número de vítimas fatais é contabilizado às dezenas - mais recentemente, até mesmo um candidato da oposição foi assassinado, em público, no palanque. "Quem tem olhos, veja" segue o ditado, e, de fato, os venezuelanos vêem: Maduro acaba de sofrer uma pesada derrota, no momento em que sua oposição conquista a maioria dos postos no parlamento. O governo revolucionário está diante de um dilema: ou reprime a oposição com brutalidade já conhecida, criando ainda mais descontentamento e ódio ao sistema socialista fundado por Chávez, ou aceita a oposição, entrando em um dilema já vivido pelo camarada Jaruzelski, que, como já visto, termina mal (para os vermelhos, naturalmente).

Dilma Rousseff, pobre coitada, não poderia estar em pior momento. Humilhada por uma crise econômica de proporções diluvianas, colocada em postura ruminante por um processo que ameaça tomar seu mandato movido pelo TSE e ameaçada por um parlamento hostil, que mastiga gostosamente um processo de impeachment contra ela, a sucessora do "menino de ouro" das esquerdas, Lula da Silva, a presidente apenas pode tremer e tentar se defender, o melhor que pode. Não que o melhor dos esforços jurídicos e políticos seja algo irrelevante, longe disso. O PT é a maior máquina burocrática, política e talvez a segunda maior máquina militar do país, alicerçada em uma vasta rede de "soldados" a servir no MST, na CUT, na UNE, nos Black Blocks - tão celebrados pela esquerda do "socialismo e liberdade" e até por um famoso jornalista de notória simpatia pelo socialismo. O PT, suas filiais - UNE, CUT, os partidos da esquerda "alternativa" e companhia -  e o exército do Stédile contam com um quase infinito tecido de assessores jurídicos, de auto-falantes nos veículos de comunicação e empreendimentos artísticos financiados com propaganda das estatais e até mesmo com um grande leque de simpatizantes estrangeiros. Entre os mais entusiasmados - e mais perigosos, sob o ponto de vista bélico - estão os barulhentos colegas das repúblicas bolivarianas, que não hesitam em fazer ameaças abertas, como já dito pelo senhor Evo Morales e pelo enfraquecido Nicolás Maduro. Apesar de toda a estrutura política, de todo apoio econômico e militar, seja ele fornecido pelos colegas membros do Foro de São Paulo como Farc, Venezuela, Bolívia, ou ainda apesar da bajulação da mídia "domada" pelos recursos de propaganda, ou mesmo com todo o financiamento proveniente da própria corrupção que caracterizou quase ontologicamente o Partido dos Trabalhadores, Dilma sofre como um moribundo. A onda de manifestações que abala o Brasil desde 2013 criou uma ferida gigntesca no sistema do Foro de São Paulo, ao menos neste país. Os ataques diretos, desrespeitosos, quase selvagens à figura da presidente dão prova de que o desafio dos petistas é muito maior do que toda a falange de para-choques deixaria parecer. Em qualquer outro momento, o "bolivarianismo" estaria seguro. Na atual crise, encontra-se formalmente confortável, mas à beira do abismo, na prática. O que está acontecendo na América Latina mostra que nem todos os bajuladores, nem todo o dinheiro, nem todas as armas e nem todos os assassinatos políticos cometidos pela esquerda podem salvar um regime socialista, como não salvaram na Europa Oriental. Os acontecimentos dos próximos anos poderão dar mais um testemunho de que a "utopia" prometida por estes regimes não vive, simplesmente porque é incompatível com a natureza humana. O que a implantação forçada - e por vezes violenta - do modelo faz é: criar desilusão, sofrimento, morte e, por fim, sua própria destruição e infâmia. Que os brasileiros possam se ver livres desse mal que já ceifou tantas vidas, em breve. 


domingo, 6 de setembro de 2015

Caos no regime petista

É fato notório que a popularidade da presidente Dilma afunda, vigorosa e ininterruptamente. Todos os regimes apresentam sinais de fraqueza significativos antes do fim. O tempo dos Czares demonstrou sua fraqueza diante da literatura Narodnik e socialista, na Rússia do século XIX, assim como o império soviético chorou e agonizou sob a pena de Solzhenítsin. Mussolini enfrentou a própria população, e morreu humilhado, apedrejado e fuzilado por seus compatriotas. O regime militar brasileiro sofreu uma chuva de golpes vindos de todos os segmentos do Brasil - dos trabalhadores até os compositores, dos industriais até os barões da imprensa. Dilma afunda no charco de seu próprio sistema corrupto, como um representante da megafauna em uma piscina de piche.

Há semanas os ataques ocorrem, como se não houvesse amanhã. Meses. Anos, talvez. A surra tomou forma, os tiros ganharam alvo e a vítima busca, inutilmente, se esconder. Parece que a única solução restante é o golpe militar, que a sucessora do "Chefe" já besuntou em óleo quase legislativo, na letra do último decreto. Tudo indica que este será o único (e último) caminho do Partido. O dia sete de setembro mostrará, em suas próximas horas, qual será o destino do regime petista.

Os aliados da grande "Latinoamerica" gritam alto: os sussurros de "golpe" se tornaram estrondos de metais, os tambores da marcha soam furiosamente. A Bolívia já avisou com todas as palavras o que acontecerá caso o sistema caia. Da Venezuela, pode-se esperar rigorosamente a mesma coisa - o país se arma sem pestanejar desde os dias de Chávez, e possui o que há de mais assustador em aparato militar da terra de Zhukov. Fileiras e mais fileiras do exército bolivariano esperam por apenas uma ordem do comandante para agir em defesa do "processo brasileiro" e da "democracia popular". O Brasil estaria prestes a se tornar uma nova Hungria ou uma nova Checoslováquia, não fosse por uma diferença significativa: aqui, ainda não existe, ao menos oficialmente, o sistema dos sovietes.

O Brasil, apesar de todos os esforços dos governantes petistas, ainda possui um arremedo de democracia, e uma sociedade civil - a verdadeira, não a do MST - atuante. No país, milhares de cidadãos que não se identificam com o projeto de poder petista se manifestam diariamente, vão às ruas, pedem a cabeça dos culpados e acusam. Acusam sem parar, acusam como se todos os oficiais judeus injustiçados do Planeta Terra, reunidos, vivessem no Brasil. Acusam com justiça, de fato, e os povos se levantam. Os cristãos falam, os judeus falam, os maçons falam e o exército há muito começou a exercitar as cordas vocais. Os ventos da mudança sopram fortes, das ruas aos quartéis, das lojas às escolas, das obras às universidades. Os tempos da conquista na guerra de posições se foram, disto ninguém tem dúvidas. Hoje, a derrota é do exército mais forte, e o exército brasileiro venceu, ao menos esta batalha.

A expressão de todos os esforços da nação brasileira é tão vasta quanto a estepe: não há livraria que não conheça o nome do Foro. Não há espaço, na internet, que não contenha um tom dissidente. Não há universidade na qual não caminhem os que percebem as boas novas. A vitória no mundo das letras impressas é algo que nunca foi antes visto na História, não deste país miserável e esquecido por Deus, mas da humanidade. É como se o Criador voltasse os olhos para cá, e dissesse: "levanta-te e anda". E a pátria-lázaro levantou-se, e respirou a verdade, e foi tomada de ira nobre e santa. E os poderes tremem de pavor e majestade, diante daquilo que era conhecido e secreto, diante daquilo que os olhos não podiam ver, e viram, através de todo o véu e de toda língua maldita. E o rei ficou nu diante do poder, e se escondeu.

Não há mais tempo para o monarca condenado. Todos os esforços e mentiras se esvaem como água por entre os dedos, e a mão se seca com o calor da luz solar. Resta apenas a Verdade, e a verdade dos inimigos do Brasil é a miséria: a Verdade do Brasil é a Vitória. Ainda que todos os exércitos do mundo marchem nesta terra, ainda que cada casa seja derrubada e cada flor seja pisada, ainda assim este povo agarrou sua liberdade, com a força de todos os libertadores que viveram antes, e como exemplo para todos os que virão depois.

Os próximos dias, meses, anos, serão os últimos do sistema petista. Não há mais tempo para a "democracia popular". A nação - sim, hoje, como nunca, é uma nação, um sangue - despertou. Nunca mais haverá língua venenosa para enganar o sal desta terra. Ainda que todos os filhos pereçam na luta, ainda que todo o golpe e perfídia sejam feitos, ainda assim, a Glória é certa. Porque, uma vez que as sementes da Liberdade deitam fundo no solo, nada pode impedir o que vem. Mesmo aqui, na América Latina, tão humilhada e escravizada pela mais vil das gentes, os povos renasceram para a Verdade. A guerra começa. O prêmio é nosso.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Sobre o Hamas e o PSOL

O PSOL - "Partido Socialismo e Liberdade" - é um dos mais curiosos frutos do pensamento esquerdista. Um leitor desatento poderia ser convencido de que a agremiação verdadeiramente se preocupa com os direitos dos gays - ou de qualquer minoria ou grupo perseguido que seja, como supostamente o são as mulheres -, se esse leitor  não se desse a um mínimo de esforço para conhecer o que a legenda realmente defende. Como todo bom partido marxista moderno, o PSOL é oficialmente apologista do leninismo. Mal sabem os eleitores da beautiful people universitária que Vladimir Lenin defendia o extermínio de minorias étnicas e o aprisionamento de crianças, como extensivamente discutido pelo general-coronel do exército vermelho Dmitri Volkogonov. A militância não sabe o que o partido é, ou o que querem dizer suas palavras de ordem, como sugere o texto publicado na página oficial da organização, "Em Defesa do Leninismo". O texto, aliás, também defende outra das vacas sagradas dos psolistas, o senhor Leon Trotsky, líder militar da revolução de outubro que solicitou ao partido bolchevique a criação dos campos de concentração para conter a onda de "inimigos do povo", "encontrados" durante o primeiro Grande Terror soviético - e não há que se falar em "stalinismo": Dzerzhinski foi da prole de Ilich, não de Vissarionovich; foi o criador da estrutura de poder que apenas seria reutilizada pelo ditador georgiano. O mesmo PSOL que louva os idealizadores do Gulag, do Terror e da repressão étnica levada a cabo pela polícia política socialista, defende o Hamas - e pelas melhores razões. O PSOL, no cerne das convicções de cada militante, está disposto às mesmas coisas que o Hamas em nome do poder, a ser usurpado para a causa da "justiça social" - naturalmente, sob a mão de ferro do partido (ou, no caso do Hamas, da teocracia islâmica, que tem sua própria versão do discurso "em nome dos pobres").
Imagem: http://goo.gl/tQ0ztb

O Hamas é uma organização antissemita por excelência - até em seu estatuto, a organização faz defesa do genocídio contra o povo judeu. Esta não é a opinião de um autor conservador: esta é uma diretriz registrada em documento oficial da organização. Conforme os próprios integrantes da "resistência palestina", seu objetivo é "matar os judeus", "combater os judeus", "matá-los mesmo que se escondam atrás de rochas e árvores". O Hezbollah, outra organização para a "libertação" palestina, é bem mais explícito, e não tem medo de divulgar fotos de seus militantes fazendo a saudação nazista. Quando o PSOL brasileiro queima a bandeira israelense - para ser mais específico, quando o candidato Babá, apoiado por Marcelo Freixo, faz esta afronta ao símbolo de um povo perseguido em todo o mundo há milênios - em praça pública, proclamando apoio incondicional aos integrantes de movimentos como o Hamas, está apenas "voltando às origens". O ídolo Lenin jogou mulheres, crianças e idosos nos campos de concentração: os alunos do maior líder marxista do século XX podem apenas seguir o exemplo, e vão bater palmas para quem pede o extermínio do povo judaico. O partido brasileiro possui um vínculo ideológico imortal com as organizações muçulmanas, que é precisamente o que torna os movimentos revolucionários de todos os países essencialmente iguais: esses grupos têm por objetivo alcançar o "fim das desigualdades", ou o "fim da opressão imperialista" através do assassinato de indivíduos que entendem como "inimigos", os quais podem definidos por sua classe, raça, religião ou afiliação política. Essa crença em um "futuro perfeito", com uma organização social ideal, deve, para cada um dos integrantes do partido revolucionário ser trazida à realidade por meio de um "julgamento", que irá acabar com as malignas formas de vida responsáveis por impedir o nascimento do novo Éden. Essa maneira de compreender a realidade é a essência do pensamento revolucionário: é o núcleo da ideia marxista - contra a "burguesia" ou contra o "Völkerabfälle" -, da ideia nacional-socialista - contra as chamadas "raças inferiores" - e do islam político - contra os "kefr", sejam eles judeus ou cristãos.

Ainda que o movimento marxista brasileiro e o movimento islamista - no sentido correto do termo - possuam um "núcleo" idêntico, há diferenças importantíssimas em seu discurso "para fora", assim como em outros aspectos que fundamentam as duas ideologias - aqui, mais uma vez, em um sentido preciso do termo, especificamente, o criado por Voegelin. O PSOL, como bom partido revolucionário, interpreta o papel de defensor dos homossexuais, ao mesmo tempo em que aplaude, em seus veículos de comunicação oficiais, regimes responsáveis pela perseguição e assassinato desse grupo de pessoas. Os islamistas defendem a execução dos "sex-libers". O PSOL apenas defende as minorias - todas elas, enquanto for politicamente favorável ao movimento socialista: o objetivo derradeiro é a tomada do poder, mesmo que pela insurreição (como Lenin, aliás, sugeria que fosse feito). Se a minoria em questão passa a ser identificada como "inimiga" (como agora o partido vê os judeus), então o aparato é incitado à agitação racista, e está disposto a deitar-se mesmo com o fascismo islâmico. Os maometanos da escola de Muhammad Kutb, por sua vez, são diferentes em discurso e fundamento por uma razão genética, que é exatamente sua força, e o que os torna os vencedores finais sobre todas as outras correntes de pensamento revolucionário. O alicerce "civilizacional" dessa vertente das ideologias (ainda conforme Voegelin) é a revelação corânica.

Enquanto a vasta maioria das ideologias teve morte rápida, o islamismo é imortal - ou quase. A revolução francesa durou poucas décadas, e nada sobrou de Robespierre. O movimento apagou-se, e ninguém se importa com Rousseau a ponto de fazê-lo profeta da religião de Estado, como fizeram os líderes responsáveis pela primeira Grande Revolução bem-sucedida. Lenin deixou uma mixórdia confusa de criaturas que variam do Juche ao Socialismo Africano Somali e Etíope. Nenhuma versão reelaborada de seu pensamento durou mais de um século: todas, sem excessão, renderam-se em maior ou menor grau à economia de mercado (até a Coreia do Norte tem suas ZEEs). Todas fracassaram miseravelmente em criar um legado para além do desastre social e da fome, que é facilmente identificada a única constante dos Estados marxistas. O nacional-socialismo hitlerista durou pouco mais de uma década, e a miséria humana criada por ele (mesmo contra os alemães, diga-se de passagem) não têm comparação com quaisquer catástrofes ocorridas antes na história humana, salvo a fome ucraniana - não por coincidência, os únicos genocídios de escala e rapidez próximas às do legado germânico são o Holodomor e a Grande Fome chinesa, de Mao Zedong. O bolivarianismo latino-americano é uma piada mesmo para os padrões do fracasso das demais ideologias - nasceu morto, deformado, aleijado e inspirado em um ditador cínico e racista que odiava a América Latina, o próprio Bolívar. Seu resultado é o colapso das economias regionais e o ódio popular sem fim contra as lideranças, que são débeis em demasia para repetir as conquistas de seus ícones do início do século XX. O islam político nunca teve um fracasso tão miserável quanto seus "irmãos", porque sua base é a própria civilização islâmica. O islamismo não promete um paraíso terrestre inalcançável, nunca visto por olhos humanos - o islamismo sugere apenas o que (nas cabeças dos clérigos islâmicos) existiu sob Muhammad. Todas as "sociedades vindouras" das outras ideologias são artificiais. O porvir do Hamas, para infelicidade da raça humana, é muito tangível, próximo, real.

O islam político nunca falou na "sociedade liberal e democrática" da Revolução Francesa. Nunca ofereceu "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" em troca de alguns milhares de "inimigos do povo" decapitados. Jamais sugeriu o paraíso de justiça, liberdade e abundância para todos da economia comunista vindoura, que naturalmente exige alguns milhões de burgueses e "inimigos de classe" enviados para as covas coletivas. Nem sequer cogitou algum "socialismo étnico" a ser criado sobre as cinzas dos "Untermenschen". O islam de Kutb, do Hamas e do Hezbollah quer a sociedade em que Muhammad viveu: quer pura e simplesmente o domínio completo de sua religião, expansionista, implacável, com a única certeza de oferecer o fio da cimitarra para as cabeças de quem se recusa a submeter-se. O islam político vê o inferno como paraíso, e é exatamente por isso que ele tem mais força: sua promessa é mais fácil de cumprir. Essa ideologia enxerga a própria civilização islâmica como o futuro, e seu apelo é óbvio, para quem segue a fé. É por essa razão que, no fim, o Hamas engolirá o PSOL.

O PSOL, assim como todos os demais partidos marxistas das Américas, é como um sopro, fadado a se dissipar, como fizeram seus irmãos durante as últimas décadas. Nunca houve, nem haverá, civilização fundada pelo marxismo. A religião voltou com força à China, assim como ao Leste Europeu, e as economias planificadas desfizeram-se como castelos de cartas. O PSOL morrerá como seus antecessores, mas de forma mais trágica - e irônica. Seus protegidos herdarão o mundo, e não terão qualquer misericórdia para aqueles que os socialistas dizem representar, ou mesmos para os próprios socialistas. Em mais de um milênio de expansão ininterrupta, o Islam varreu inúmeras culturas da existência, e não teve qualquer gesto de benevolência para o ateísmo. Os mesmos socialistas que pedem o fim de Israel pelas mãos da "resistência" muçulmana verão suas últimas horas diante de um tribunal da Shariah. Não há "oposição" ou propaganda anti-clerical sob a lei corânica - há apenas a submissão, a Shahada ou a morte.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O conceito de subversão, conforme Yuri Bezmenov

Karl Radek, líder bolchevique apoiador do sex-lib,
assassinado por Stalin
Imagem: https://goo.gl/KfJvNz
Ao longo da História da União Soviética, a mais eficaz forma de guerra não foi o uso de fuzis e tanques T-34. Enquanto a Rússia de então e o governo atual de Vladimir Putin fazem questão de mostrar o poder militar do regime, com os tradicionais desfiles na Praça Vermelha, o poderio bélico é apenas a última das ferramentas utilizadas na conquista de territórios. A tradição soviética mostra que a melhor forma de combate não exige o disparo de uma única bala - demanda apenas o uso eficaz da grande máquina de propaganda erguida pelo sistema socialista. Essa tática, o "vencer a guerra sem disparar um único tiro", se chama "subversão".

Yuri Bezmenov foi jornalista da agência estatal soviética "Novosti" (Notícias). Foi também membro da KGB, e trabalhou como agente de subversão na Índia e na própria União Soviética, onde sua tarefa era a de passar a melhor imagem possível do regime russo para personalidades estrangeiras em visita ao país. O agente conta que boa parte de seu trabalho consistia em levar os hóspedes "em tour" pelas cidades russas, muitas vezes induzindo-os a consumirem grandes quantidades de bebida alcoólica. Todo o processo visava tornar o visitante "o mais amaciado possível", deixá-lo mais propenso a levar a sério a propaganda oficial do governo soviético. Conforme Bezmenov explica, "a subversão consiste em fazer com que a vítima do processo abandone seus próprios valores, suas próprias crenças, e passe a adotar os valores, crenças e objetivos do grupo ou do país responsável pela ação subversiva". Ele explica que a subversão pode ser dividida em uma série de etapas, na aplicação "macrossocial" (aplicação ampla, com uso de meios de comunicação de massa) e na aplicação individual.

Contra os indivíduos, o processo é extremamente simples. Consiste em levar alguém a, em primeiro lugar, acessar a notícias que favoreçam apenas o ponto de vista do realizador do processo de subversão. O objeto do processo deve ser induzido, pelas informações oferecidas (sempre em viés parcial favorável ao ator), a negar as instituições de seu país ou religião, a entrar em postura de choque ideológico com as forças tradicionais de sua nação. Um cidadão americano, por exemplo, deveria ser exposto a informações que o levassem a desprezar as polícias e o exército de seu país. Um cristão deveria ser levado a acreditar que sua fé é errada, preconceituosa e maligna. Ao mesmo tempo, o objeto do processo deveria ser levado a admirar as instituições do ator do processo, até mesmo a desejar seu sistema político, econômico e moral. 

Na aplicação social, a subversão é dividida entre as seguintes etapas: desmoralização, desestabilização, crise e normalização. A primeira, a desmoralização, é a aplicação do processo individual visto anteriormente a toda uma sociedade. O processo envolve a utilização ampla dos meios de comunicação para construir estereótipos negativos associados ao sistema governamental da nação, despertar o desprezo pela fé tradicional do povo e causar ódio pelo modelo econômico adotado no país. Na primeira etapa da aplicação macrossocial, não há movimentos fortes de propaganda a favor do ator do processo, apenas o ataque aos sistemas de crenças dos sujeitos.

Na segunda etapa da aplicação macrossocial, o objetivo do ator é intensificar os conflitos já existentes dentro da sociedade. A nação que promove as iniciativas subversivas pode estimular grupos antissociais dentro do país à ação, como, por exemplo, estimular ações criminosas. Este modelo foi aplicado com sucesso na Rússia czarista, através da mobilização de grupos guerrilheiros, como o chefiado por Stalin (à serviço do partido bolchevique). Na China, a mesma coisa foi feita pelo Partido Comunista, através da comercialização de ópio - Mao tirou o sustento de toda a sua máquina partidária da droga, e efetivamente criou o modelo que serviria de inspiração para as FARC. Na fase de desestabilização, grupos que são contrários aos sistemas de valores do país também são levados à ação pelo ator, através até mesmo de financiamento direto, como, por exemplo, grupos ligados ao "sex-lib" (Karl Radek, um dos líderes do partido bolchevique, foi ele mesmo um grande expoente do "sex-lib" russo, e seria morto após a revolução a mando de Stalin, em um hospital psiquiátrico da URSS). A ação dos grupos financiados ou estimulados pelo ator do processo subversivo é criada para promover o surgimento da nova etapa da estratégia, que é a crise.

A crise consiste na completa degradação das relações sociais e em um processo de "militarização" da vida, ou de conflitos sistemáticos e sucessivos entre inúmeros grupos sociais. Nesta etapa da estratégia de subversão, quaquer tupo de entendimento pacífico dentro do país é impossível: todas as diferenças resultam em confrontação, por vezes violenta. A Rússia, mais uma vez, é um exemplo clássico: antes da Grande Revolução de Outubro, a movimentação frenética de grupos de assaltantes, traficantes de armas e terroristas levou a dezenas de mortes. Conflitos sangrentos foram registradas em inúmeras partes do país, e grandes "pogroms" levaram à morte muitas pessoas de ascendência judaica, que viram a grande perseguição promovida pelo regime se intensificar, em desajeitada resposta à atividade revolucionária. A população russa, em terrível sofrimento, viu operários serem fuzilados, levantes em diversas partes do país, assassinatos de funcionários do governo e o surgimento dos "sovietes", ou conselhos de deputados operários e soldados, que passaram a exercer uma administração informal sobre partes da sociedade russa, notoriamente o exército e os trabalhadores da cidade (principalmente). De acordo com Yuri Bezmenov, após a intensificação dos conflitos internos no objeto da subversão, o ator do processo tenta promover o surgimento dos "líderes iluminados": figuras desconhecidas que, da noite para o dia, se tornam personagens de grande poder dentro das estruturas de administração paralela, em vários campos da atividade humana. É precisamente esse fenômeno que levou ao poder Vladimir Lenin e Leon Trotsky: ambos eram líderes do governo paralelo dos sovietes, que subitamente se tornaram chefes de Estado, em um período de poucos meses. Durante estes acontecimentos, muitos indivíduos entre os grupos criminosos podem também se apossar de cargos de influência - este é o caso de Stalin, até então, burocrata muito menos influente do que Trotski no Partido Bolchevique, que tinha tido papel muito mais importante no tráfico de armas e assalto na região do Cáucaso do que teria na Grande Revolução. 

Por fim, o processo subversivo termina na etapa da "normalização": conforme Yuri Bezmenov, a expressão foi originalmente usada por Brezhnev para designar a retomada brutal do poder pelo regime comunista Tcheco, em 1968, após a primavera de Praga. Nesta fase da subversão, os recém-empossados líderes passam a desestimular a agitação social ativamente, por vezes através da eliminação física de grupos usados nas etapas anteriores da estratégia. A China comunista serve de exemplo neste ponto: após a proclamação da República Popular, o cultivo da papoula foi proibido, e inúmeros líderes de grupos bandoleiros - antigos aliados de Mao - foram sistematicamente executados. O Partido Comunista nunca mais expôs seu uso do tráfico de drogas para financiamento de seu aparato, e todas as atividades ligadas ao comércio passaram a ser condenadas como crime. A União Soviética viu processo muito semelhante: grupos anarquistas usados durante o processo revolucionário foram proibidos; todos os partidos políticos de esquerda - com excessão do Partido Bolchevique (ou seja, o próprio Partido Comunista) - foram banidos do país e seus líderes que manifestaram resistência foram mortos ou encarcerados. O movimento "sex-lib", que floresceu durante a revolução, foi massacrado - posteriormente, os homossexuais seriam condenados como criminosos a penas nos campos de trabalho forçado do GULAG, ou seriam fuzilados. Um dos partícipes da insurreição francesa de 1789, Pierre Vergniaud, diria: "A revolução devora seus filhos".

O estudo dos conceitos abordados por Yuri Bezmenov permite ter uma visão da tragédia criada pelo movimento comunista, e, em grande medida, do sofrimento trazido por todos os movimentos revolucionários que a humanidade já viu - talvez nem todos, mas certamente os que são inspirados pela "ideologia", aqui conforme o sentido usado por Eric Voegelin. As doces promessas da revolução, na maioria das vezes, se convertem no amargo sabor da desilusão, da fome, da miséria e da morte. Conhecer a arma usada pelas organizações que pretendem destruir a liberdade é a melhor forma de não se deixar seduzir por uma belíssima propaganda, que é nada além da forma mais letal do canto das sereias. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

As coletivizações forçadas do PT

As coletivizações foram os experimentos econômicos mais desastrosos dos regimes socialistas. Da China de Mao à Yugoslávia de Tito, sempre terminaram em catástrofes produtivas sem precedentes, resultando invariavelmente em perdas nas colheitas, nas cabeças de gado e até em vidas humanas (por via da fome). Nenhum dos experimentos do gênero - repito -, nenhum, jamais alcançou resultados diferentes. Até onde o sistema foi menos pernicioso, levou ao abandono quase imediato da idéia (como nos bálcãs). Onde foi mais intenso, resultou na morte de milhões. Em Stalin - Triunfo e Tragédia, Dmitri Volkogonov estima que as mortes decorrentes da coletivização estão na ordem dos nove milhões de vítimas, apenas na União Soviética. Jung Chang afirma que o número de mortos pela fome na China alcançou a casa dos vinte milhões, já que a coletivização foi associada à retirada forçada de alimentos, para financiar os projetos militaristas do partido.

Mas e aqui, no Brasil? Já que o mundo conhece os resultados da iniciativa, o governo adotou uma medida diversionária, que tem o fim óbvio de não associar o nome do que é feito por aqui com os fracassos prévios. O regime petista utiliza o MST como "tropa de choque" da coletivização, que passou a levar o nome sugestivo de "reforma agrária" e "expropriações". A empreitada já está sendo levada adiante desde o governo do partido social-democrata, e está se intensificando sob a bandeira do PT, como bem noticiado por diversos veículos: http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/10/dilma-desapropria-imoveis-rurais-em-6-estados , http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,dilma-desapropria-92-areas-para-reforma-agraria-,1112925,0.htm .

Agora, o regime começou a desapropriação de chácaras, que são consideradas pelo nosso querido governo como "áreas improdutivas". O conceito de produtividade utilizado é dúbio e cretino, já que a legislação ambiental estipula volumes impossíveis de áreas para "reflorestamento", mesmo em regiões que, historicamente, sempre foram utilizadas pela agricultura, como as regiões sudeste e sul. Algumas, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sempre foram as campeãs de produtividade do país. Uma das maiores riquezas da nação é o volume da produção agrícola, que utiliza mão-de-obra livre, bem-remunerada a até a agricultura familiar, garantindo divisas e preços baixos de alimentos como a carne e grãos (como a soja) para o mercado interno, apesar da tributação gigantesca imposta ao consumidor nacional. Não é preciso ser um gênio para estimar as proporções do dano que as iniciativas "coletivistas" do governo causarão aos produtores, trabalhadores e consumidores. Mas nada pode frear a sede de poder econômico, político e social do nosso "partido-príncipe", como diria o guru das esquerdas, Gramsci.

Até hoje, o MST não gerou uma - sequer uma - fazenda produtiva, não criou uma área sequer onde os trabalhadores do campo sejam bem-remunerados e não trouxe um único benefício para os consumidores nacionais. Pelo contrário. O movimento destrói fazendas produtivas, leva pequenos produtores à falência e dificilmente ataca os verdadeiros proprietários improdutivos, os amigos do rei. Nunca, na História deste país, uma só fazenda de Renan Calheiros (ou de sua família) viu a cor das bandeiras dos "sem-terra". Tampouco as fazendas da família Collor. Ou as terras do próprio Lula (que se tornou, misteriosamente, proprietário de extensões de terra, essas sim, improdutivas, em São Paulo). Assim segue a República Socialista Soviética do Brasil, na melhor tradição dos atos nobres da nomenklatura comunista, para a qual "alguns são mais iguais".



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

De Marx a Stalin, passando por Lenin e Trotsky

Marx costumava - com seu companheiro de pena, Engels - defender o genocídio e se referir a judeus poloneses e negros nos termos menos respeitosos (mais suja das raças, crioulos). Mas a boa índole do sapo barbudo não estava limitada a estes comportamentos respeitosos. Ele (e, novamente, o comparsa Engels) também era um ardoroso defensor do terror político. Já dizia o fundador da ideologia comunista, muito cara ao partido que nos governa:

"Não temos compaixão e não lhe pedimos compaixão alguma. Quando chegar a nossa vez, não inventaremos pretextos para o terror".

Karl Marx,  na edição de19 de maio de 1849 do jornal Neue Rheinische Zeitung.

Engels completa, e sobra para os eslavos:

"To the sentimental phrases about brotherhood which we are being offered here on behalf of the most counter-revolutionary nations of Europe, we reply that hatred of Russians was and still is the primary revolutionary passion among Germans; that since the revolution hatred of Czechs and Croats has been added, and that only by the most determined use of terror against these Slav peoples can we, jointly with the Poles and Magyars, safeguard the revolution.".

Friedrich Engels, uma vez mais no Neue Rheinische Zeitung, edição de 15 de fevereiro de 1849.

OK, dirão os esquerdistas, mas deixe o camarada Lenin fora disso. O que Lenin diria a respeito?

"We need to set an example. You need to hang – hang without fail, and do it so that the public sees – at least 100 notorious kulaks, the rich, and the bloodsuckers. Publish their names. Take away all of their grain. Execute the hostages – in accordance with yesterday’s telegram. This needs to be accomplished in such a way that people for hundreds of miles around will see and tremble".

Vladimir Lenin em carta aos Narkom - comissários do povo - de Penza (distrito a 300 milhas a sudeste de Moscou) datada de 11 de agosto de 1918.

E ainda:

"We would be deceiving both ourselves and the people if we concealed from the masses the necessity of a desperate, bloody war of extermination.".

Vladimir Lenin em “Lessons of the Moscow Uprising”, Obras Completas de Lenin, Vol. 11, p. 174.

Mas, o que diria o camarada Trotsky a respeito? O que falta é o sujeito defender o terror político E a aplicação de trabalhos forçados à classe operária! Então...

"The man who repudiates terrorism in principle – i.e., repudiates measures of suppression and intimidation towards determined and armed counter-revolution, must reject all idea of the political supremacy of the working class and its revolutionary dictatorship. The man who repudiates the dictatorship of the proletariat repudiates the Socialist revolution, and digs the grave of Socialism."
Leon Trotsky comandando o exército vermelho: o marxista
defendia o uso de trabalho escravo para o socialismo
Imagem: http://goo.gl/ZvgBQh

Leon Trotsky, Terrorismo e Comunismo, página 15, 1920.

E...

"Yet labor-power is required – required more than at any time before. Not only the worker, but the peasant also, must give to the Soviet State his energy, in order to ensure that laboring Russia, and with it the laboring masses, should not be crushed. The only way to attract the labor power necessary for our economic problems is to introduce compulsory labor service. "

Leon Trotsky, Terrorismo e Comunismo, 1920 página 95.

Não é sem razão que, após o colapso da União Soviética, pixaram pelos muros de Moscou a frase "trabalhadores do mundo: me perdoem!".

Karl Marx era racista, Friedrich Engels também

A esquerda faz questão ocultar o lado sombrio de suas maiores vacas sagradas. Ninguém aprende, nas escolas do Brasil soviético, que Marx e Engels eram racistas defensores da limpeza étnica. Não é sem motivo. Qualquer militante que se depare com os textos racistas dos  fundadores da maior e mais poderosa (ao menos do ponto de vista militar) das correntes da esquerda sempre tem ao menos uma surpresa desagradável - admitindo-se que não é um entusiasta do genocídio, como, aliás, há muitos por aí, como foi o falecido Hobsbawm. Deixo Marx falar por si mesmo:

"Now I share neither in the opinions of Ricardo, who regards ‘Net-Revenue’ as the Moloch to whom entire populations must be sacrificed, without even so much as complaint, nor in the opinion of Sismondi, who, in his hypochondriacal philanthropy, would forcibly retain the superannuated methods of agriculture and proscribe science from industry, as Plato expelled poets from his Republic. Society is undergoing a silent revolution, which must be submitted to, and which takes no more notice of the human existences it breaks down than an earthquake regards the houses it subverts. The classes and the races, too weak to master the new conditions of life, must give way".
Imagem: zedge.net

Karl Marx, no New York Daily Tribune, edição de 22 de março de 1853.

No quesito "racismo", Engels não é menos enfático que seu camarada:

"There is no country in Europe which does not have in some corner or other one or several ruined fragments of peoples, the remnant of a former population that was suppressed and held in bondage by the nation which later became the main vehicle of historical development. These relics of a nation mercilessly trampled under foot in the course of history, as Hegel says, this ethnic trash [Völkerabfälle] always become fanatical standard-bearers of counter-revolution and remain so until their complete extirpation or loss of their national character, just as their whole existence in general is itself a protest against a great historical revolution".

Friedrich Engels, no jornal marxista Neue Rheinische Zeitung, Número 194, 13 de janeiro de 1849.

Até sobra para os judeus:

"We discovered that in connection with these figures the German national simpletons and money-grubbers of the Frankfurt parliamentary swamp always counted as Germans the Polish Jews as well, although this dirtiest of all races [schmutzigste aller Rassen], neither by its jargon nor by its descent, but at most only through its lust for profit, could have any relation of kinship with Frankfurt".

Friedrich Engels, Neue Rheinische Zeitung, número 285, 29 de abril de 1849.

E Marx se refere carinhosamente aos afro-descendentes com o termo "crioulos" (niggers):


"It is now completely clear to me that he, as is proved by his cranial formation and his hair, descends from the Negroes from Egypt, assuming that his mother or grandmother had not interbred with a nigger. Now this union of Judaism and Germanism with a basic Negro substance must produce a peculiar product. The obtrusiveness of the fellow is also nigger-like."



Carta de Karl Marx para Friedrich Engels, de julho de 1862.

A acusação descansa.



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