domingo, 6 de setembro de 2015

Caos no regime petista

É fato notório que a popularidade da presidente Dilma afunda, vigorosa e ininterruptamente. Todos os regimes apresentam sinais de fraqueza significativos antes do fim. O tempo dos Czares demonstrou sua fraqueza diante da literatura Narodnik e socialista, na Rússia do século XIX, assim como o império soviético chorou e agonizou sob a pena de Solzhenítsin. Mussolini enfrentou a própria população, e morreu humilhado, apedrejado e fuzilado por seus compatriotas. O regime militar brasileiro sofreu uma chuva de golpes vindos de todos os segmentos do Brasil - dos trabalhadores até os compositores, dos industriais até os barões da imprensa. Dilma afunda no charco de seu próprio sistema corrupto, como um representante da megafauna em uma piscina de piche.

Há semanas os ataques ocorrem, como se não houvesse amanhã. Meses. Anos, talvez. A surra tomou forma, os tiros ganharam alvo e a vítima busca, inutilmente, se esconder. Parece que a única solução restante é o golpe militar, que a sucessora do "Chefe" já besuntou em óleo quase legislativo, na letra do último decreto. Tudo indica que este será o único (e último) caminho do Partido. O dia sete de setembro mostrará, em suas próximas horas, qual será o destino do regime petista.

Os aliados da grande "Latinoamerica" gritam alto: os sussurros de "golpe" se tornaram estrondos de metais, os tambores da marcha soam furiosamente. A Bolívia já avisou com todas as palavras o que acontecerá caso o sistema caia. Da Venezuela, pode-se esperar rigorosamente a mesma coisa - o país se arma sem pestanejar desde os dias de Chávez, e possui o que há de mais assustador em aparato militar da terra de Zhukov. Fileiras e mais fileiras do exército bolivariano esperam por apenas uma ordem do comandante para agir em defesa do "processo brasileiro" e da "democracia popular". O Brasil estaria prestes a se tornar uma nova Hungria ou uma nova Checoslováquia, não fosse por uma diferença significativa: aqui, ainda não existe, ao menos oficialmente, o sistema dos sovietes.

O Brasil, apesar de todos os esforços dos governantes petistas, ainda possui um arremedo de democracia, e uma sociedade civil - a verdadeira, não a do MST - atuante. No país, milhares de cidadãos que não se identificam com o projeto de poder petista se manifestam diariamente, vão às ruas, pedem a cabeça dos culpados e acusam. Acusam sem parar, acusam como se todos os oficiais judeus injustiçados do Planeta Terra, reunidos, vivessem no Brasil. Acusam com justiça, de fato, e os povos se levantam. Os cristãos falam, os judeus falam, os maçons falam e o exército há muito começou a exercitar as cordas vocais. Os ventos da mudança sopram fortes, das ruas aos quartéis, das lojas às escolas, das obras às universidades. Os tempos da conquista na guerra de posições se foram, disto ninguém tem dúvidas. Hoje, a derrota é do exército mais forte, e o exército brasileiro venceu, ao menos esta batalha.

A expressão de todos os esforços da nação brasileira é tão vasta quanto a estepe: não há livraria que não conheça o nome do Foro. Não há espaço, na internet, que não contenha um tom dissidente. Não há universidade na qual não caminhem os que percebem as boas novas. A vitória no mundo das letras impressas é algo que nunca foi antes visto na História, não deste país miserável e esquecido por Deus, mas da humanidade. É como se o Criador voltasse os olhos para cá, e dissesse: "levanta-te e anda". E a pátria-lázaro levantou-se, e respirou a verdade, e foi tomada de ira nobre e santa. E os poderes tremem de pavor e majestade, diante daquilo que era conhecido e secreto, diante daquilo que os olhos não podiam ver, e viram, através de todo o véu e de toda língua maldita. E o rei ficou nu diante do poder, e se escondeu.

Não há mais tempo para o monarca condenado. Todos os esforços e mentiras se esvaem como água por entre os dedos, e a mão se seca com o calor da luz solar. Resta apenas a Verdade, e a verdade dos inimigos do Brasil é a miséria: a Verdade do Brasil é a Vitória. Ainda que todos os exércitos do mundo marchem nesta terra, ainda que cada casa seja derrubada e cada flor seja pisada, ainda assim este povo agarrou sua liberdade, com a força de todos os libertadores que viveram antes, e como exemplo para todos os que virão depois.

Os próximos dias, meses, anos, serão os últimos do sistema petista. Não há mais tempo para a "democracia popular". A nação - sim, hoje, como nunca, é uma nação, um sangue - despertou. Nunca mais haverá língua venenosa para enganar o sal desta terra. Ainda que todos os filhos pereçam na luta, ainda que todo o golpe e perfídia sejam feitos, ainda assim, a Glória é certa. Porque, uma vez que as sementes da Liberdade deitam fundo no solo, nada pode impedir o que vem. Mesmo aqui, na América Latina, tão humilhada e escravizada pela mais vil das gentes, os povos renasceram para a Verdade. A guerra começa. O prêmio é nosso.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Sobre o Hamas e o PSOL

O PSOL - "Partido Socialismo e Liberdade" - é um dos mais curiosos frutos do pensamento esquerdista. Um leitor desatento poderia ser convencido de que a agremiação verdadeiramente se preocupa com os direitos dos gays - ou de qualquer minoria ou grupo perseguido que seja, como supostamente o são as mulheres -, se esse leitor  não se desse a um mínimo de esforço para conhecer o que a legenda realmente defende. Como todo bom partido marxista moderno, o PSOL é oficialmente apologista do leninismo. Mal sabem os eleitores da beautiful people universitária que Vladimir Lenin defendia o extermínio de minorias étnicas e o aprisionamento de crianças, como extensivamente discutido pelo general-coronel do exército vermelho Dmitri Volkogonov. A militância não sabe o que o partido é, ou o que querem dizer suas palavras de ordem, como sugere o texto publicado na página oficial da organização, "Em Defesa do Leninismo". O texto, aliás, também defende outra das vacas sagradas dos psolistas, o senhor Leon Trotsky, líder militar da revolução de outubro que solicitou ao partido bolchevique a criação dos campos de concentração para conter a onda de "inimigos do povo", "encontrados" durante o primeiro Grande Terror soviético - e não há que se falar em "stalinismo": Dzerzhinski foi da prole de Ilich, não de Vissarionovich; foi o criador da estrutura de poder que apenas seria reutilizada pelo ditador georgiano. O mesmo PSOL que louva os idealizadores do Gulag, do Terror e da repressão étnica levada a cabo pela polícia política socialista, defende o Hamas - e pelas melhores razões. O PSOL, no cerne das convicções de cada militante, está disposto às mesmas coisas que o Hamas em nome do poder, a ser usurpado para a causa da "justiça social" - naturalmente, sob a mão de ferro do partido (ou, no caso do Hamas, da teocracia islâmica, que tem sua própria versão do discurso "em nome dos pobres").
Imagem: http://goo.gl/tQ0ztb

O Hamas é uma organização antissemita por excelência - até em seu estatuto, a organização faz defesa do genocídio contra o povo judeu. Esta não é a opinião de um autor conservador: esta é uma diretriz registrada em documento oficial da organização. Conforme os próprios integrantes da "resistência palestina", seu objetivo é "matar os judeus", "combater os judeus", "matá-los mesmo que se escondam atrás de rochas e árvores". O Hezbollah, outra organização para a "libertação" palestina, é bem mais explícito, e não tem medo de divulgar fotos de seus militantes fazendo a saudação nazista. Quando o PSOL brasileiro queima a bandeira israelense - para ser mais específico, quando o candidato Babá, apoiado por Marcelo Freixo, faz esta afronta ao símbolo de um povo perseguido em todo o mundo há milênios - em praça pública, proclamando apoio incondicional aos integrantes de movimentos como o Hamas, está apenas "voltando às origens". O ídolo Lenin jogou mulheres, crianças e idosos nos campos de concentração: os alunos do maior líder marxista do século XX podem apenas seguir o exemplo, e vão bater palmas para quem pede o extermínio do povo judaico. O partido brasileiro possui um vínculo ideológico imortal com as organizações muçulmanas, que é precisamente o que torna os movimentos revolucionários de todos os países essencialmente iguais: esses grupos têm por objetivo alcançar o "fim das desigualdades", ou o "fim da opressão imperialista" através do assassinato de indivíduos que entendem como "inimigos", os quais podem definidos por sua classe, raça, religião ou afiliação política. Essa crença em um "futuro perfeito", com uma organização social ideal, deve, para cada um dos integrantes do partido revolucionário ser trazida à realidade por meio de um "julgamento", que irá acabar com as malignas formas de vida responsáveis por impedir o nascimento do novo Éden. Essa maneira de compreender a realidade é a essência do pensamento revolucionário: é o núcleo da ideia marxista - contra a "burguesia" ou contra o "Völkerabfälle" -, da ideia nacional-socialista - contra as chamadas "raças inferiores" - e do islam político - contra os "kefr", sejam eles judeus ou cristãos.

Ainda que o movimento marxista brasileiro e o movimento islamista - no sentido correto do termo - possuam um "núcleo" idêntico, há diferenças importantíssimas em seu discurso "para fora", assim como em outros aspectos que fundamentam as duas ideologias - aqui, mais uma vez, em um sentido preciso do termo, especificamente, o criado por Voegelin. O PSOL, como bom partido revolucionário, interpreta o papel de defensor dos homossexuais, ao mesmo tempo em que aplaude, em seus veículos de comunicação oficiais, regimes responsáveis pela perseguição e assassinato desse grupo de pessoas. Os islamistas defendem a execução dos "sex-libers". O PSOL apenas defende as minorias - todas elas, enquanto for politicamente favorável ao movimento socialista: o objetivo derradeiro é a tomada do poder, mesmo que pela insurreição (como Lenin, aliás, sugeria que fosse feito). Se a minoria em questão passa a ser identificada como "inimiga" (como agora o partido vê os judeus), então o aparato é incitado à agitação racista, e está disposto a deitar-se mesmo com o fascismo islâmico. Os maometanos da escola de Muhammad Kutb, por sua vez, são diferentes em discurso e fundamento por uma razão genética, que é exatamente sua força, e o que os torna os vencedores finais sobre todas as outras correntes de pensamento revolucionário. O alicerce "civilizacional" dessa vertente das ideologias (ainda conforme Voegelin) é a revelação corânica.

Enquanto a vasta maioria das ideologias teve morte rápida, o islamismo é imortal - ou quase. A revolução francesa durou poucas décadas, e nada sobrou de Robespierre. O movimento apagou-se, e ninguém se importa com Rousseau a ponto de fazê-lo profeta da religião de Estado, como fizeram os líderes responsáveis pela primeira Grande Revolução bem-sucedida. Lenin deixou uma mixórdia confusa de criaturas que variam do Juche ao Socialismo Africano Somali e Etíope. Nenhuma versão reelaborada de seu pensamento durou mais de um século: todas, sem excessão, renderam-se em maior ou menor grau à economia de mercado (até a Coreia do Norte tem suas ZEEs). Todas fracassaram miseravelmente em criar um legado para além do desastre social e da fome, que é facilmente identificada a única constante dos Estados marxistas. O nacional-socialismo hitlerista durou pouco mais de uma década, e a miséria humana criada por ele (mesmo contra os alemães, diga-se de passagem) não têm comparação com quaisquer catástrofes ocorridas antes na história humana, salvo a fome ucraniana - não por coincidência, os únicos genocídios de escala e rapidez próximas às do legado germânico são o Holodomor e a Grande Fome chinesa, de Mao Zedong. O bolivarianismo latino-americano é uma piada mesmo para os padrões do fracasso das demais ideologias - nasceu morto, deformado, aleijado e inspirado em um ditador cínico e racista que odiava a América Latina, o próprio Bolívar. Seu resultado é o colapso das economias regionais e o ódio popular sem fim contra as lideranças, que são débeis em demasia para repetir as conquistas de seus ícones do início do século XX. O islam político nunca teve um fracasso tão miserável quanto seus "irmãos", porque sua base é a própria civilização islâmica. O islamismo não promete um paraíso terrestre inalcançável, nunca visto por olhos humanos - o islamismo sugere apenas o que (nas cabeças dos clérigos islâmicos) existiu sob Muhammad. Todas as "sociedades vindouras" das outras ideologias são artificiais. O porvir do Hamas, para infelicidade da raça humana, é muito tangível, próximo, real.

O islam político nunca falou na "sociedade liberal e democrática" da Revolução Francesa. Nunca ofereceu "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" em troca de alguns milhares de "inimigos do povo" decapitados. Jamais sugeriu o paraíso de justiça, liberdade e abundância para todos da economia comunista vindoura, que naturalmente exige alguns milhões de burgueses e "inimigos de classe" enviados para as covas coletivas. Nem sequer cogitou algum "socialismo étnico" a ser criado sobre as cinzas dos "Untermenschen". O islam de Kutb, do Hamas e do Hezbollah quer a sociedade em que Muhammad viveu: quer pura e simplesmente o domínio completo de sua religião, expansionista, implacável, com a única certeza de oferecer o fio da cimitarra para as cabeças de quem se recusa a submeter-se. O islam político vê o inferno como paraíso, e é exatamente por isso que ele tem mais força: sua promessa é mais fácil de cumprir. Essa ideologia enxerga a própria civilização islâmica como o futuro, e seu apelo é óbvio, para quem segue a fé. É por essa razão que, no fim, o Hamas engolirá o PSOL.

O PSOL, assim como todos os demais partidos marxistas das Américas, é como um sopro, fadado a se dissipar, como fizeram seus irmãos durante as últimas décadas. Nunca houve, nem haverá, civilização fundada pelo marxismo. A religião voltou com força à China, assim como ao Leste Europeu, e as economias planificadas desfizeram-se como castelos de cartas. O PSOL morrerá como seus antecessores, mas de forma mais trágica - e irônica. Seus protegidos herdarão o mundo, e não terão qualquer misericórdia para aqueles que os socialistas dizem representar, ou mesmos para os próprios socialistas. Em mais de um milênio de expansão ininterrupta, o Islam varreu inúmeras culturas da existência, e não teve qualquer gesto de benevolência para o ateísmo. Os mesmos socialistas que pedem o fim de Israel pelas mãos da "resistência" muçulmana verão suas últimas horas diante de um tribunal da Shariah. Não há "oposição" ou propaganda anti-clerical sob a lei corânica - há apenas a submissão, a Shahada ou a morte.

sábado, 14 de junho de 2014

O calcanhar de aquiles do conservadorismo brasileiro

Parada militar soviética: a URSS forçava colegiais
a participarem de treinamento militar.
Imagem: Daily Motion
O movimento conservador do Brasil cresce vertiginosamente - o crescimento nas vendas de livros de autores identificados com a direita dá testemunho disso. Inúmeros autores se destacam - entre eles, com mais "eco" tanto nos meios "alternativos" quanto na grande mídia, estão nomes como Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo Leandro Narloch. Não há dúvida que boa parte dos escritores liberais ou conservadores possui melhor formação política ou intelectual que os autores de esquerda: é muito comum encontrar trotskistas que não fazem a menor ideia do que Leon Trotsky defendia, ou marxistas que não leram uma obra sequer de Karl Marx - com muita sorte, é possível se deparar com um sujeito que leu o "manifesto", ou alguém que tenha lido uma edição resumida da "Ideologia Alemã". Os escritores e militanes do campo conservador-liberal normalmente conhecem bem os autores do outro lado, isso quando não são verdadeiros especialistas em literatura dos "cânones" bolcheviques - Reinaldo Azevedo é um grande conhecedor da obra de Gramsci, e Olavo de Carvalho leu a maior parte da obra de Marx disponível em português (assim como da disponível em outros idiomas), de Gramsci e de Lenin, o que lhes dá grande vantagem. Os dois foram militantes "de carteirinha" de partidos comunistas - Reinaldo Azevedo foi ligado à representação da quarta internacional no Brasil, enquanto Olavo foi filiado ao antigo PCB (atual PPS). O grande problema do conservadorismo brasileiro não é o conhecimento dos clássicos adversários - o "movimento" (se é que merece este nome, como veremos a seguir) está muito bem servido neste aspecto. A fraqueza mortal da direita brasileira é a falta de organização.

Os partidos comunistas são conhecidos por sua disciplina. Na antiga União Soviética, ser membro do partido significava ter uma dedicação perene e férrea à causa. Quadros com as mais diversas funções eram preparados física e intelectualmente para situações críticas - mesmo indivíduos sem qualquer exposição a tarefas "braçais" deveriam passar por treinamento militar rigoroso. As atividades partidárias permeavam todos os aspectos da vida, passando pelas reuniões lúdicas juvenis até as associações de escritores. A militarização da sociedade não atingia apenas membros do partido: cidadãos comuns, "sem carteirinha", também eram submetidos a treinamento militar severo, desde os anos escolares. Alunos eram mandados às fazendas coletivas para o aprendizado das funções mais exigentes no plantio, turmas eram forçadas a receber treinamento com fuzis, incluindo desmontagem e tiro (este tipo de curso, aliás, foi retomado na Rússia de Putin, onde os jovens são levados a disputar pelos melhores tempos de montagem de fuzis da linha AK). Esperava-se de um indivíduo com a carteirinha do partido uma dedicação ainda maior à causa - maior ao partido de Lenin do que à sua própria família. A militância política brasileira "normal", por outro lado, é o retrato do descaso (salvo, evidentemente, a militância dos partidos comunistas, que sabe até mesmo neste país o que é o rigor).

Os comunistas do Brasil são forçados a pagar muito caro por uma carteirinha do partido. Há contribuições para todos os partidos, e as mais caras são conhecidas como o "PTízimo" - a contribuição mandatória dos militantes do Partido dos Trabalhadores. Em um partido comunista brasileiro, espera-se que os quadros compareçam rigorosamente a todas as reuniões e manifestações, com indumentária impecável. Todos batem continência para os chefes das nacionais, sem pestanejar. Estão todos em forma, como exército, para levar à cabo as ordens do centro. Os conservadores, por outro lado, são incapazes de doar um centavo sequer. Organizar um partido conservador no Brasil é tarefa hercúlea, porque cada militante está mais preocupado com o conforto de seu lar e em parecer mais importante do que em levar adiante os projetos do grupo. Não há disciplina, não há planos, não há partido que vingue. O máximo que se pode esperar de um conservador brasileiro é que organize um "encontro", no qual, quase com certeza, ao invés de resoluções, ordens e projetos, irão "acontecer" cervejas e difamação. O militante conservador deste país é muito hábil para discussões nas redes sociais, para virar copos e para sentir inveja das capacidades do vizinho, mas é mesquinho demais para abrir a carteira em nome da agremiação e tolo demais para perceber que é impotente quando sozinho. O soldado, quando em um exército disciplinado devidamente abastecido, pode ser uma força invencível. Quando sozinho, é, na melhor das hipóteses, um prisioneiro - na pior delas, um cadáver.

Com certeza o Brasil ainda verá grandes convulsões nos próximos anos, graças à ascensão conservadora em curso. Nomes irão brilhar e, muito provavelmente, vencer disputas eleitorais. Livros serão publicados, egos irão se encher como balões. Mas a vitória só será do conservadorismo brasileiro caso estes tolos que chamam a seus pares de "liberais", "libertarians" e "conservadores" aprendam a dar suor e lágrimas pelos seus movimentos. Uma das máximas mais importantes do grande estrategista que foi Napoleão Bonaparte é: "um exército precisa de três coisas: dinheiro, dinheiro e dinheiro". Ele estava certo, mas esqueceu-se de uma: disciplina. Com as festinhas e intrigas, os conservadores só conseguirão o deprezo do Brasil. Com disciplina militar e com força para sacrificar seus próprios recursos financeiros pela causa, os conservadores poderão conquistar este país. Só o futuro dirá qual dos objetivos o movimento vai escolher: o fracasso e a humilhação em nome do conforto ou a vitória a preço de sangue.

Treinamento de montagem de fuzil da linha Kalashnikov em escola no regime de Putin:


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O conceito de subversão, conforme Yuri Bezmenov

Karl Radek, líder bolchevique apoiador do sex-lib,
assassinado por Stalin
Imagem: https://goo.gl/KfJvNz
Ao longo da História da União Soviética, a mais eficaz forma de guerra não foi o uso de fuzis e tanques T-34. Enquanto a Rússia de então e o governo atual de Vladimir Putin fazem questão de mostrar o poder militar do regime, com os tradicionais desfiles na Praça Vermelha, o poderio bélico é apenas a última das ferramentas utilizadas na conquista de territórios. A tradição soviética mostra que a melhor forma de combate não exige o disparo de uma única bala - demanda apenas o uso eficaz da grande máquina de propaganda erguida pelo sistema socialista. Essa tática, o "vencer a guerra sem disparar um único tiro", se chama "subversão".

Yuri Bezmenov foi jornalista da agência estatal soviética "Novosti" (Notícias). Foi também membro da KGB, e trabalhou como agente de subversão na Índia e na própria União Soviética, onde sua tarefa era a de passar a melhor imagem possível do regime russo para personalidades estrangeiras em visita ao país. O agente conta que boa parte de seu trabalho consistia em levar os hóspedes "em tour" pelas cidades russas, muitas vezes induzindo-os a consumirem grandes quantidades de bebida alcoólica. Todo o processo visava tornar o visitante "o mais amaciado possível", deixá-lo mais propenso a levar a sério a propaganda oficial do governo soviético. Conforme Bezmenov explica, "a subversão consiste em fazer com que a vítima do processo abandone seus próprios valores, suas próprias crenças, e passe a adotar os valores, crenças e objetivos do grupo ou do país responsável pela ação subversiva". Ele explica que a subversão pode ser dividida em uma série de etapas, na aplicação "macrossocial" (aplicação ampla, com uso de meios de comunicação de massa) e na aplicação individual.

Contra os indivíduos, o processo é extremamente simples. Consiste em levar alguém a, em primeiro lugar, acessar a notícias que favoreçam apenas o ponto de vista do realizador do processo de subversão. O objeto do processo deve ser induzido, pelas informações oferecidas (sempre em viés parcial favorável ao ator), a negar as instituições de seu país ou religião, a entrar em postura de choque ideológico com as forças tradicionais de sua nação. Um cidadão americano, por exemplo, deveria ser exposto a informações que o levassem a desprezar as polícias e o exército de seu país. Um cristão deveria ser levado a acreditar que sua fé é errada, preconceituosa e maligna. Ao mesmo tempo, o objeto do processo deveria ser levado a admirar as instituições do ator do processo, até mesmo a desejar seu sistema político, econômico e moral. 

Na aplicação social, a subversão é dividida entre as seguintes etapas: desmoralização, desestabilização, crise e normalização. A primeira, a desmoralização, é a aplicação do processo individual visto anteriormente a toda uma sociedade. O processo envolve a utilização ampla dos meios de comunicação para construir estereótipos negativos associados ao sistema governamental da nação, despertar o desprezo pela fé tradicional do povo e causar ódio pelo modelo econômico adotado no país. Na primeira etapa da aplicação macrossocial, não há movimentos fortes de propaganda a favor do ator do processo, apenas o ataque aos sistemas de crenças dos sujeitos.

Na segunda etapa da aplicação macrossocial, o objetivo do ator é intensificar os conflitos já existentes dentro da sociedade. A nação que promove as iniciativas subversivas pode estimular grupos antissociais dentro do país à ação, como, por exemplo, estimular ações criminosas. Este modelo foi aplicado com sucesso na Rússia czarista, através da mobilização de grupos guerrilheiros, como o chefiado por Stalin (à serviço do partido bolchevique). Na China, a mesma coisa foi feita pelo Partido Comunista, através da comercialização de ópio - Mao tirou o sustento de toda a sua máquina partidária da droga, e efetivamente criou o modelo que serviria de inspiração para as FARC. Na fase de desestabilização, grupos que são contrários aos sistemas de valores do país também são levados à ação pelo ator, através até mesmo de financiamento direto, como, por exemplo, grupos ligados ao "sex-lib" (Karl Radek, um dos líderes do partido bolchevique, foi ele mesmo um grande expoente do "sex-lib" russo, e seria morto após a revolução a mando de Stalin, em um hospital psiquiátrico da URSS). A ação dos grupos financiados ou estimulados pelo ator do processo subversivo é criada para promover o surgimento da nova etapa da estratégia, que é a crise.

A crise consiste na completa degradação das relações sociais e em um processo de "militarização" da vida, ou de conflitos sistemáticos e sucessivos entre inúmeros grupos sociais. Nesta etapa da estratégia de subversão, quaquer tupo de entendimento pacífico dentro do país é impossível: todas as diferenças resultam em confrontação, por vezes violenta. A Rússia, mais uma vez, é um exemplo clássico: antes da Grande Revolução de Outubro, a movimentação frenética de grupos de assaltantes, traficantes de armas e terroristas levou a dezenas de mortes. Conflitos sangrentos foram registradas em inúmeras partes do país, e grandes "pogroms" levaram à morte muitas pessoas de ascendência judaica, que viram a grande perseguição promovida pelo regime se intensificar, em desajeitada resposta à atividade revolucionária. A população russa, em terrível sofrimento, viu operários serem fuzilados, levantes em diversas partes do país, assassinatos de funcionários do governo e o surgimento dos "sovietes", ou conselhos de deputados operários e soldados, que passaram a exercer uma administração informal sobre partes da sociedade russa, notoriamente o exército e os trabalhadores da cidade (principalmente). De acordo com Yuri Bezmenov, após a intensificação dos conflitos internos no objeto da subversão, o ator do processo tenta promover o surgimento dos "líderes iluminados": figuras desconhecidas que, da noite para o dia, se tornam personagens de grande poder dentro das estruturas de administração paralela, em vários campos da atividade humana. É precisamente esse fenômeno que levou ao poder Vladimir Lenin e Leon Trotsky: ambos eram líderes do governo paralelo dos sovietes, que subitamente se tornaram chefes de Estado, em um período de poucos meses. Durante estes acontecimentos, muitos indivíduos entre os grupos criminosos podem também se apossar de cargos de influência - este é o caso de Stalin, até então, burocrata muito menos influente do que Trotski no Partido Bolchevique, que tinha tido papel muito mais importante no tráfico de armas e assalto na região do Cáucaso do que teria na Grande Revolução. 

Por fim, o processo subversivo termina na etapa da "normalização": conforme Yuri Bezmenov, a expressão foi originalmente usada por Brezhnev para designar a retomada brutal do poder pelo regime comunista Tcheco, em 1968, após a primavera de Praga. Nesta fase da subversão, os recém-empossados líderes passam a desestimular a agitação social ativamente, por vezes através da eliminação física de grupos usados nas etapas anteriores da estratégia. A China comunista serve de exemplo neste ponto: após a proclamação da República Popular, o cultivo da papoula foi proibido, e inúmeros líderes de grupos bandoleiros - antigos aliados de Mao - foram sistematicamente executados. O Partido Comunista nunca mais expôs seu uso do tráfico de drogas para financiamento de seu aparato, e todas as atividades ligadas ao comércio passaram a ser condenadas como crime. A União Soviética viu processo muito semelhante: grupos anarquistas usados durante o processo revolucionário foram proibidos; todos os partidos políticos de esquerda - com excessão do Partido Bolchevique (ou seja, o próprio Partido Comunista) - foram banidos do país e seus líderes que manifestaram resistência foram mortos ou encarcerados. O movimento "sex-lib", que floresceu durante a revolução, foi massacrado - posteriormente, os homossexuais seriam condenados como criminosos a penas nos campos de trabalho forçado do GULAG, ou seriam fuzilados. Um dos partícipes da insurreição francesa de 1789, Pierre Vergniaud, diria: "A revolução devora seus filhos".

O estudo dos conceitos abordados por Yuri Bezmenov permite ter uma visão da tragédia criada pelo movimento comunista, e, em grande medida, do sofrimento trazido por todos os movimentos revolucionários que a humanidade já viu - talvez nem todos, mas certamente os que são inspirados pela "ideologia", aqui conforme o sentido usado por Eric Voegelin. As doces promessas da revolução, na maioria das vezes, se convertem no amargo sabor da desilusão, da fome, da miséria e da morte. Conhecer a arma usada pelas organizações que pretendem destruir a liberdade é a melhor forma de não se deixar seduzir por uma belíssima propaganda, que é nada além da forma mais letal do canto das sereias. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A nossa moral e a deles

"Razão e justiça controlam a estrela mais remota e solitária. Olhe para aquelas estrelas. Não parecem safiras e diamantes solitários? Bem, você pode imaginar qualquer maluquice botânica e geológica que lhe agrade. Pensar em florestas de adamantino com folhas de brilhantes. Pensar  que a lua é uma lua azul, uma enorme safira solitária. Mas não acredite que essa astronomia fanática possa fazer a mínima diferença para a razão e a justiça de conduta. Em planícies de opala, abaixo de penhascos cunhados em pérola, você ainda encontraria um aviso no mural: 'Não roubarás'"

De G.K. Chesterton, em A Inocência do Padre Brown.


Uma das mais elementares diferenças entre o movimento revolucionário, nas suas diversas vertentes, e o ponto de vista conservador é a crença na existência de valores morais eternos e universais, por parte deste. Para o conservador, a justiça, a decência, o respeito cedido à liberdade e à vida alheias, bem como os conceitos de bem e mal, todos são valores eternos, válidos para todos os seres humanos. As leis que valem para um devem valer para o outro, não importando a que se atribuem as ações de quem quer que seja. Se alguém comete um ato criminoso, o mesmo não se torna menos criminoso em razão do que o agente diga que é seu motivo. Para o revolucionário, a coisa é um pouco diferente.


O bom comunista deve estar disposto a defender o terror político, o assassinato, o roubo e o genocídio em nome da causa. Não é a minha opinião, é a de Marx, Engels, Trotsky, Lenin e Stalin. Basta ler os textos dos mesmos que já são amplamente conhecidos pelo público em geral para constatar este fato. O jornal Neue Rheinische Zeitung, de Marx e Engels, dá testemunho disto. Trotsky é ainda mais explícito, em Nossa moral e a deles e em Terrorismo e comunismo. Ele dizia: "Ser contra o terror político, por princípio, é ser contra o governo do proletariado".

O bom conservador respeita as leis, mesmo que isso seja prejudicial à sua causa. A própria origem do termo tem sua raiz em comum com a equivalente médica, a contraposição entre o tratamento radical e o tratamento conservador. Enquanto o tratamento radical admite amputações e intervenções agressivas (muitas vezes desastrosas), o tratamento conservador procura as soluções menos danosas para o paciente. É uma questão de jogar a água fora, sem se livrar simultaneamente da criança. Para o revolucionário, a criança pode ser descartada com o resto - ainda que ele diga, por mais estúpido que pareça, que o faz em nome da criança.

A moral e a religião são atacadas pelo revolucionário pela mesma razão. Para que seja alcançada a sociedade perfeita, dizem eles, pode ser necessário ignorar estes detalhes. Matar ou não matar? Porque não? Afinal, é em nome de um bem maior. O conservador é da opinião que dita que, a partir do momento em que se abandonam estes valores, simplesmente não será possível alcançar uma sociedade perfeita - porque não se pode chamar de perfeita uma civilização de terror, covas coletivas, do Gulag, de censura à toda e qualquer opinião contrária ao governo, de um povo posto à força de joelhos diante de governantes "iluminados", ainda que tudo isto seja em nome de maravilhas como uma sociedade sem classes, ou uma sociedade composta por seres humanos cuidadosamente selecionados com base em supostas melhorias físicas ou uma sociedade regida pela mais perfeita razão cartesiana. Até porque, até onde dita o senso comum, os escravos do Gulag também são escravos, e os homens do governo são senhores, ou não? Parece que é assim. E me parece que a "raça superior" do nacional-socialismo perdeu a guerra contra as supostas "raças mais fracas", ou não? Também parece que sim. Além de tudo, me parece que os revolucionários franceses depuseram um rei para colocar em seu lugar um imperador (diga-se de passagem, com muito mais poderes que o rei). Corrijam-me se eu estiver equivocado.

Um líder conservador sempre preza pelos valores universais, pela justiça divina e pela razão obtida pela experiência das gerações anteriores, que ele respeita e não tenta amputar da experiência de seu tempo. Desde César, sabe-se que um governo com poderes excessivos tende a ser tirânico. Washington, por exemplo, sabia disso. Ele também sabia ser mais prudente não se aliar aos revolucionários franceses, que ele logo percebeu serem muito dispostos à conspiração, a mentiras e a todo tipo de expediente maligno em nome das "elevadas causas". O primeiro presidente dos Estados Unidos manteve firmemente a posição de não enviar auxílio militar à França de Robespierre, e sempre zelou pela paz até mesmo com o antigo nêmesis das colônias, o Império Britânico, ainda que este oferecesse risco à liberdade das colônias. A manobra permitiu aos Estados Unidos, nas décadas após a morte de Washington, manter boas relações com o país e até mesmo conseguir uma expansão significativa para o oeste. Os revolucionários franceses acreditavam na diplomacia da guilhotina. Foram todos guilhotinados. O conservador Washington acreditava na diplomacia do bom senso.

Sua carta de despedida para o povo americano, ao fim de seu governo, dá testemunho imortal do grande homem que foi e de sua sabedoria. Ainda vale, até para os brasileiros:

"A religião e a moral são condições necessárias para a prosperidade dos Estados. Seria em vão acreditar no patriotismo daquele que quiser destruir estas duas colunas do edifício social. Ambos, políticos e homens de fé, devem reverenciá-las e preservá-las. Um volume não bastaria para traçar as relações que elas têm com a felicidade pública e particular
...
Observai, diante de todas as nações, as regras da justiça  e da boa fé, para viver em paz com elas. A religião e a moral fazem disso uma lei e a política sóbria as imita. É digno de um povo esclarecido e livre, que em breve será um grande povo, dar ao universo um exemplo tão sublime quanto novo, mostrando-se constantemente movido pela justiça e pela boa vontade".

Washington terminou seu governo e se recusou a concorrer a um terceiro mandato, sabendo que abriria precedentes para governos ditatoriais. Ele sabia que a única garantia de liberdade é um governo de poderes limitados. Ele também sabia que os valores morais são eternos e universais, e sabia que  abandoná-los é abandonar também as supostas "causas elevadas".

Em 1797, George Washington, um conservador temente a Deus, já sabia muito bem destas coisas. Os políticos de hoje se esqueceram de tudo. Precisa-se urgentemente de mais homens como ele, em todos os governos do planeta.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

As coletivizações forçadas do PT

As coletivizações foram os experimentos econômicos mais desastrosos dos regimes socialistas. Da China de Mao à Yugoslávia de Tito, sempre terminaram em catástrofes produtivas sem precedentes, resultando invariavelmente em perdas nas colheitas, nas cabeças de gado e até em vidas humanas (por via da fome). Nenhum dos experimentos do gênero - repito -, nenhum, jamais alcançou resultados diferentes. Até onde o sistema foi menos pernicioso, levou ao abandono quase imediato da idéia (como nos bálcãs). Onde foi mais intenso, resultou na morte de milhões. Em Stalin - Triunfo e Tragédia, Dmitri Volkogonov estima que as mortes decorrentes da coletivização estão na ordem dos nove milhões de vítimas, apenas na União Soviética. Jung Chang afirma que o número de mortos pela fome na China alcançou a casa dos vinte milhões, já que a coletivização foi associada à retirada forçada de alimentos, para financiar os projetos militaristas do partido.

Mas e aqui, no Brasil? Já que o mundo conhece os resultados da iniciativa, o governo adotou uma medida diversionária, que tem o fim óbvio de não associar o nome do que é feito por aqui com os fracassos prévios. O regime petista utiliza o MST como "tropa de choque" da coletivização, que passou a levar o nome sugestivo de "reforma agrária" e "expropriações". A empreitada já está sendo levada adiante desde o governo do partido social-democrata, e está se intensificando sob a bandeira do PT, como bem noticiado por diversos veículos: http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/10/dilma-desapropria-imoveis-rurais-em-6-estados , http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,dilma-desapropria-92-areas-para-reforma-agraria-,1112925,0.htm .

Agora, o regime começou a desapropriação de chácaras, que são consideradas pelo nosso querido governo como "áreas improdutivas". O conceito de produtividade utilizado é dúbio e cretino, já que a legislação ambiental estipula volumes impossíveis de áreas para "reflorestamento", mesmo em regiões que, historicamente, sempre foram utilizadas pela agricultura, como as regiões sudeste e sul. Algumas, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sempre foram as campeãs de produtividade do país. Uma das maiores riquezas da nação é o volume da produção agrícola, que utiliza mão-de-obra livre, bem-remunerada a até a agricultura familiar, garantindo divisas e preços baixos de alimentos como a carne e grãos (como a soja) para o mercado interno, apesar da tributação gigantesca imposta ao consumidor nacional. Não é preciso ser um gênio para estimar as proporções do dano que as iniciativas "coletivistas" do governo causarão aos produtores, trabalhadores e consumidores. Mas nada pode frear a sede de poder econômico, político e social do nosso "partido-príncipe", como diria o guru das esquerdas, Gramsci.

Até hoje, o MST não gerou uma - sequer uma - fazenda produtiva, não criou uma área sequer onde os trabalhadores do campo sejam bem-remunerados e não trouxe um único benefício para os consumidores nacionais. Pelo contrário. O movimento destrói fazendas produtivas, leva pequenos produtores à falência e dificilmente ataca os verdadeiros proprietários improdutivos, os amigos do rei. Nunca, na História deste país, uma só fazenda de Renan Calheiros (ou de sua família) viu a cor das bandeiras dos "sem-terra". Tampouco as fazendas da família Collor. Ou as terras do próprio Lula (que se tornou, misteriosamente, proprietário de extensões de terra, essas sim, improdutivas, em São Paulo). Assim segue a República Socialista Soviética do Brasil, na melhor tradição dos atos nobres da nomenklatura comunista, para a qual "alguns são mais iguais".



sábado, 16 de novembro de 2013

Desarmamento e Genocídio

O século XX mostrou que, em grande parte, a História do desarmamento está ligada à História do genocídio. Grandes Estados totalitários utilizaram o desarmamento como uma de suas principais estratégias de controle da população civil. O exemplo mais icônico é a legislação da Alemanha nazista, que abertamente retirava as armas - e, por conseguinte, qualquer chance de resistência -  de suas maiores vítimas: os judeus. O que segue é um dos mais terríveis morticínios de inocentes que a humanidade já viu, o Holocausto, que está ao lado do genocídio dos ucranianos orquestrado pelo partido comunista da União Soviética, em 1932, como um dos maiores crimes já cometidos.

O desarmamento das vítimas da Alemnha nazista não foi a primeira empreitada do tipo que a humanidade sofreu: a União soviética praticava uma política de controle de armas similar, que também foi seguida pela República Popular da China, responsável pela morte de ao menos 20 milhões de pessoas, apenas durante as retiradas forçadas de alimentos, no Grande Salto adiante.

A lei nazista de armas de 1938 era bem clara, quanto à retirada das armas de suas futuras vítimas:

"§1 Judeus (§5 da primeira regulação da lei de cidadania alemã de 14 de novembro de 1935, Reichsgesetzblatt I, p. 1333) são proibidos de adquirir, possuir e carregar consigo armas e munições, bem com armas de corte ou perfuração. Os que agora possuem armas e munições devem devolvê-las às autoridades policiais locais".

O primeiro parágrafo da lei chinesa de controle de armas também é clara (até no que diz respeito a "manter a ordem social", como provavelmente era o mais "nobre" objetivo da lei de armas nazista), quando diz:

"Artigo 1º

Esta lei foi formulada para fortalecer o controle de armas e manter a segurança pública e a ordem social".

A União Soviética adotou campanhas de desarmamento de grupos não-ligados ao governo, e Lênin já destacava, em seu decálogo, a necessidade das políticas de controle de armas das populações não-ligadas a seu partido:

"10 - Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa"

Lênin, Decálogo, 1913.

O governo soviético adotou políticas de desarmamento, desde a década de 1920. O código criminal soviético incorporou a concepção de "ilegal" à fabricação e comercialização de armas sem o registro pelo governo:

"Artigo 218:

Portar, manter, fabricar ou comercializar armas ilegalmente"

Seguindo os preceitos de Lenin, de maneira que a população se tornasse incapaz de resistir aos mandos e desmandos da elite comunista.

Poster da campanha soviética de desarmamento, 1918:
"Grajdanie! Sdavayte orujie - Cidadãos! Entreguem as armas"

A Venezuela, por sua vez, também está seguindo os modelos os outros Estados socialistas, e adotou uma política de desarmamento total da população civil (curiosamente, a medida está sendo celebrada no site oficial do PC do B, que segue a linha maoísta e vê a China como modelo de "democracia popular").

Enquanto o púbico continuar acreditando que o objetivo do desarmamento é a redução da violência, vamos estar sempre à mercê de governantes assassinos. Se os resultados catastróficos das políticas de armas não forem o suficiente - as leis das gun-free zones, de 1990, nos Estados Unidos, que impediram professores de carregar armas, o que poderia ter evitado desastres como Columbine ou Sandy Hook, ou as leis brasileiras que existem desde 1997 e proibiram o porte legal, e também tornaram possível que o Brasil conseguisse o medonho número de 50.000 homicídios na década de 2000 (por acaso, a década do estatuto do desarmamento, de 2003) - pode ser que seja suficiente para alertar o público assistir a um documentário como este:

                                          








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